Delegado que fez apreensão histórica de madeira ilegal afirma que ‘nunca encontrou na Amazônia um plano de manejo certo’

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Salvar a Amazônia com foco no Brasil do futuro. Esse foi o foco do evento online “Amazônia e Bioeconomia – Sustentada em Ciência, Tecnologia e Inovação”. O tema é discutido como parte das comemorações dos 105 anos do Instituto de Engenharia de São Paulo, marcado nesta quarta-feira, 13 de outubro. Na ocasião, o ex-superitendente da Polícia Federal no Amazonas, delegado Alexandre Saraiva, responsável pela Operação Handroanthus, disse que “nunca encontrou na Amazônia um plano de manejo certo”.

Segundo ele, é importante conhecer os problemas para trazer as soluções. Assim, é fundamental priorizar a defesa da Amazônia.

“O que vemos hoje, é um desastre para a biodiversidade amazônica, mas o pior é que nada se muda desde 1500. Essa dinâmica não é nova. Nós não aprendemos nada”, diz Saraiva.

O delegado contou o que viu em sua experiência a frente da Polícia Federal no Amazonas.

Nunca encontrei na Amazônia um plano de manejo certo. Acompanhei pessoalmente mais de mil processos, e outros colegas muitos outros“, revelou.

Saraiva ainda garantiu que “organizações criminosas se apoderaram do esquema da madeira ilegal na Amazônia“. Para ele, esse é o principal ponto a ser combatido hoje.

Importância do bioma

Carlos Nobre, cientista, pesquisador e professor, fez um panorama da importância do bioma. Ele explicou que entre vários benefícios, a floresta amazônica remove entre 1 e 2 bilhões de toneladas de gás carbônico por ano da atmosfera.

“A Amazônia também recicla o vapor d’água para o Sul do Brasil. É o fenômeno dos ‘rios voadores’. Com isso, por exemplo, 18% das chuvas da bacia do rio Paraná, vem da umidade da Amazônia, o que ajuda para a agricultura”, revela o engenheiro Carlos Nobre.

E para quem não entende a importância, o especialista mostrou que há mais espécies em apenas um hectare da floresta amazônica, do que em toda a Europa. “É a maior biodiversidade do mundo“, relembra.

Marcio Souza, romancista e dramaturgo, autor de várias obras com a temática amazônica, reforça que há questões urgentes: o genocídio planejado das populações e cultura do local, bem como o ataque ao meio ambiente.

“Não é possível separar essas questões e ver a falta de diálogo com essas etnias que estão há milênios por lá“, contou o escritor.

É possível evitar os problemas?

Para todos os participantes do evento realizado pelo Instituto de Engenharia de São Paulo, a solução passa pela nova bioeconomia da floresta.

É preciso instalar biofábricas (estrutura laboratorial em que se produzem mudas vegetais em larga escala e curto espaço de tempo) distribuídas no território com alta agregação de valor local. A equação está na soma de sociobiodiversidade, pessoas e alta tecnologia.

Isso é reforçado pelo engenheiro George Paulus, coordenador do Grupo de Trabalho “Amazonia e Bioeconomia” e Conselheiro do Instituto de Engenharia. “Buscamos, assim, um debate para um projeto nacional focado na bioeconomia brasileira. Esse olhar precisa acontecer e é preciso encontrar subsídios para isso”, conclui.

Link para assistir ao evento na íntegra:

*Com informações da assessoria