Demissão em massa de professores em São Paulo de Olivença deixa famílias indígenas desamparadas

Os 325 profissionais, a maioria indígenas, agora estão desempregados e não tem como sustentar suas famílias

Servidores da educação de São Paulo de Olivença, (distante 991km de Manaus), foram surpreendidos na última semana com a notícia de que foram exonerados do cargo. Os 325 profissionais, a maioria indígenas, agora estão desempregados e não tem como sustentar suas famílias.

A exoneração dos profissionais foi anunciada no Decreto Municipal nº 93/2022, publicado no Diário Oficial do estado de quinta-feira (28), sem qualquer aviso prévio aos dispensados. Na decisão, consta a informação de que o concurso público foi considerado ilegal pelo Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM), com base no acórdão nº 59/2 da corte.

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Amazonas (Sinteam), o certame foi cancelado porque “a prefeitura não apresentou a documentação necessária para garantir a lisura do processo, ainda que o tribunal tivesse disponibilizado um período os esclarecimentos”.

Após a notícia, os profissionais exonerados marcharam por ruas até a praça principal da cidade, na quarta (29/6) e na sexta-feira (30/6), com o objetivo de pressionar a gestão municipal a dialogar com a categoria.

“Até o momento, eles têm se negado a conversar com a gente. Nós estamos tentando não só agora, mas desde quando iniciamos uma campanha salarial. Não tem diálogo. Por isso, nosso protesto é para que eles se sensibilizem”, explica a professora Ivete Tourinho, vice-presidente do Sinteam.