Mesmo com contrato de R$ 16 milhões, funcionários do Delphina Aziz estão com salários atrasados há mais de dois meses

Ao Radar Amazônico, profissionais que atuam na unidade ameaçaram paralisar as atividades por conta dos atrasos

Foto: Divulgação

 
Com salários atrasados há mais de dois meses, os funcionários do Hospital Delphina Aziz, na zona Norte de Manaus  ameaçam paralisar as atividades caso continuem sem receber. A unidade de saúde é administrada pela Organização Social – teoricamente sem fins lucrativos – Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH) que recebe mais de R$ 16 milhões por mês dos cofres públicos do Amazonas.

“Durante a pandemia os médicos eram tratados como heróis. Hoje, são tratados como escravos, trabalhando sem receber”, disse a denunciante, que teve a identidade preservada.

A Secretaria de Saúde do Amazonas (SES), após questionamento feito pelo Radar, confirmou que realmente os salários estão em atraso e somente agora pagaram o mês de agosto, após dois meses de adiamento.

“A Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) informa que efetuou o pagamento da competência de agosto, na sexta-feira (1º/10), ao Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH), organização social responsável pela gestão da unidade hospitalar, e o mês de setembro está em processo de instrução para pagamento. A SES-AM ressalta que a responsabilidade pelo pagamento dos profissionais que atuam no hospital é do INDSH.”

Escândalos

Desde que o contrato com a Organização Social (OS) Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH)  foi firmado em 2019, pela então SUSAM, o Radar Amazônico vem mostrando diversas irregularidades, entre elas a escolha feita pelo governo de Wilson Lima de fechar contrato com esta OS mesmo o INDSH tendo sido denunciado em outros Estados por suspeita de ter recebido recursos públicos da saúde, mas não ter prestado os respectivos serviços médicos para os quais foi pago. No caso do Amazonas, a OS foi é paga desde 2019 para fazer funcionar o Delphina Aziz na sua totalidade, mas isso nunca aconteceu nem mesmo durante a pandemia, segundo inspeção feita pelo próprio Ministério Público do Amazonas (MPE-AM).

Em abril deste ano, o Ministério Público Federal (MPF) chegou a abrir um processo contra o então secretário de saúde do Amazonas, Rodrigo Tobias, por conta das irregularidades no contrato com a OS. Mas, como de costume, até hoje não se sabe como ficou a investigação e nem se viu ninguém ser punido. 

Ainda esta semana, o funcionamento da unidade foi tema de discussão na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). Os deputados da oposição denunciaram que Wilson Lima, ao anunciar esta semana que o Hospital Delphina Aziz estará “100% em funcionamento”, admite, que até então, a unidade estava operando fora de sua capacidade total.

É importante destacar que esse não é o primeiro caso de atraso no salário dos profissionais da saúde do Amazonas. Em novembro de 2020, o serviço de radiologia do Hospital Universitário Francisca Mendes, deixou de funcionar pelo mesmo motivo.