Denúncias de corrupção chegam ao judiciário e miram ministro Mauro Campbell

A Procuradoria Geral da República averigua o envolvimento de ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em um esquema do grupo JBS para a compra de decisões judiciais em tribunais superiores, em Brasília. Um dos ministros é o magistrado Amazonense, Mauro Campbell, segundo apontou o site da revista Veja, desta sexta-feira (8).

De acordo com a publicação a Procuradoria-Geral recebeu, na última quarta-feira (6), centenas de documentos, na forma de áudios, e-mails e mensagens pelo aplicativo WhatsApp, que sugerem que a JBS, ao contrário do que contou em sua delação, tentou, de forma sistemática, comprar decisões em tribunais superiores em Brasília.

As conversas recebidas pela PGR são entre o diretor jurídico da JBS, Francisco de Assis e Silva, e uma advogada que trabalha para a empresa, Renata Gerusa Prado de Araújo. Os dois traçam estratégias para obter decisões favoráveis a empresas do grupo. A publicação da Veja diz que esses pagamentos seriam por meio de “pagamentos em espécie”, ou por meio de tráfico de influência em processos sob relatoria da desembargadora federal, Maria do Carmo Cardoso, que vem a ser mãe da própria Renata, e de Mauro Campbell, juiz que a advogada diz conhecer muito bem.

Além dele, também são citados outros dois ministros do Superior Tribunal de Justiça: Napoleão Maia e João Otávio Noronha.

Um dos trechos publicados pela Veja revela que em uma conversa do dia 10 de novembro de 2015, Francisco diz que precisa de uma liminar de Campbell até o final do mês. Seis dias depois Renata diz que terá reunião com o ministro Amazonense e que gostaria de já levar os valores todos definidos para evitar exageros no dinheiro que seria solicitado por Campbell para o serviço.

Ainda no trecho divulgado na publicação, a advogada Renata disse a Francisco o ministro havia sugerido “500” para a MC que seria medida cautelar e “1mi” para a RESP que seria recurso especial. Renata pediu dinheiro em espécie que seria dividido entre ela e o ministro.

Foi divulgado que Assis e Renata também conversavam sobre arestas que deveriam ser aparadas com o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, a voz mais ativa contra o que considera abusos nas investigações da Lava Jato.

De acordo com a Veja, quem levou o acervo ao Ministério Público foi o empresário Pedro Bettim Jacobi, ex-marido da advogada Renata Araújo, que está num processo litigioso de separação. Ele copiou do celular da ex-mulher os arquivos que considerava comprometedores.

O Radar tentou ouvir o ministro Mauro Campbell pelo fone *998*-**10, mas ele não atendeu aos telefonemas.