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Deodato desdiz déficit bilionário na saúde; rombo vira buraquinho

Após dar declarações sobre um déficit bilionário na saúde, o que foi reforçado com a afirmação do governador Amazonino Mendes (PDT), através de vídeo no Facebook, dizendo ter assumido o Estado com um ‘rombo” nesse setor de R$ 1,2 bilhão, o secretário de Estado da Saúde, Francisco Deodato, esteve na Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM), nesta terça-feira (17), com a principal finalidade de esclarecer, afinal que déficit é esse e o que fazer para gerenciar um sistema de saúde deficitário.

Logo na abertura da sessão plenária, o presidente da Aleam e ex-governador interino , David Almeida, num tom de confronto de números, anunciou que, após a explanação feita pelo secretário Francisco Deodato, iria mostrar slides com informações orçamentárias e financeiras que estão no relatório da equipe de transição, relatório este que foi repassado para o Governo de Amazonino Mendes.

“Passamos todas as informações. Entregamos um relatório onde tem pontuado tudo que foi feito e o que se pode fazer. Eu vou provar que conseguimos diminuir os custos da saúde em R$ 700 milhões”, declarou David Almeida, da tribuna da Casa, contestando o tal de déficit de R$ 1,2 bilhão apontado pelo governador e o secretário de Saúde. Ele acrescentou que o déficit orçamentário vai estar zerado até o final do mês de dezembro e que o déficit financeiro “é outra história”.

E, como o Radar havia previsto, o secretário Francisco Deodato se pronunciou na Assembleia com uma fala bem mais mansa, dizendo estar na ALE de forma cordial. Ele desconversou da maioria dos questionamentos dos deputados e o tal do “rombo” sequer foi citado por ele.

Deodato disse no Plenário da ALE que o orçamento da Susam, para o exercício de 2017, é de R$ 2,2 bilhões, dos quais R$ 1,8 bilhão de orçamento inicial e R$ 400 milhões de suplementação. Deste valor, foram executados, até o final de agosto, data estabelecida pela Comissão de Transição para fechamento das informações, R$ 1,7 bilhão, restando um saldo orçamentário de R$ 494,2 milhões. Entretanto, a necessidade da secretaria até o encerramento do exercício, em dezembro, é da ordem de R$ 888 milhões.

“Teremos, portanto, um déficit orçamentário de R$ 393,8 milhões, relacionados às obrigações vigentes. Com serviços em execução sem contratos, temos mais R$ 178,3 milhões. Somando-se esses dois itens, chegaremos a um déficit de R$ 572,1 milhões”, disse.

Ou seja, o que era R$ 1,2 bi passou para R$ 572,1 milhões, secretário?

Deodato afirmou que foi interpretado de forma errada e que o tal do rombo era a soma dos valores já citados com as despesas de exercícios anteriores. “O valor empenhado é de R$ 195,6 milhões e mais R$ 379,4 a empenhar, totalizando R$ 575 milhões. De restos a pagar são R$ 87 milhões”, disse.

O secretário disse que estes são os números que ele recebeu da Comissão de Transição do Estado e que estão sendo, segundo ele, minuciosamente processados e validados pela equipe do Governo.

“É importante ressaltar que a dotação orçamentária para o ano de 2017, de R$ 1,8 bilhão e mais R$ 400 milhões de suplementação, foi inferior aos últimos três anos. Em 2016, o orçamento inicial foi de R$ 2,19 bilhões, chegando a R$ 2,89 bilhões após suplementação. Em 2015, o orçamento inicial foi de R$ 2,17 bilhões, passando a R$ 2,71 bilhões após a suplementação. Em 2014, o inicial foi de R$ 2,07 bilhões, alcançando R$ 2,71 bilhões”, disse.

O deputado Luiz Castro (Rede) questionou o secretário sobre a real situação do déficit no setor, apontado inicialmente como R$ 1,2 bilhão e depois reduzido para R$ 572 milhões, além dos problemas crônicos que dificultam o atendimento da população amazonense.

Castro insistiu também na CPI para apurar as denúncias de desvio de recursos da saúde no Estado. Até o momento, o requerimento de criação da CPI recebeu a assinatura dos deputados Sabá Reis, Sinésio Campos, José Ricardo e Luiz Castro.

O parlamentar também questionou as estratégias da nova gestão para reduzir os altos custos com a terceirização, que segundo ele, virou regra na Saúde, em prejuízo dos usuários do sistema de atendimento público.

O deputado Serafim Correa (PSB) afirmou que todo esse desconforto entre o Executivo e o Legislativo foi causado pelo próprio governador Amazonino Mendes. “Vamos deixar de brincadeira e parar de pôr a culpa nos outros. Isso tudo é porque o Amazonino fica brincando de Facebook falando o que não deveria, orientado por marqueteiro”, disparou Serafim ao ressaltar que a Susam vai na contramão do SUS, pois abusa das terceirizações.

Depois do pronunciamento do secretário e de alguns questionamentos de deputados, David Almeida interrompeu a sessão por quase uma hora para a realização de uma sessão especial. Quando todos retornaram, o discurso foi diferente e o tom era de conciliação, quase “só love” – isso lembra a atá a fala do deputada Sabá Reis que definiu a relação entre governo e Assembléia como sendo de “tapas e beijos”.

“O secretário veio aqui e cumpriu o seu papel assim como a ALE também fez. Acredito que tudo tenha sido um mal-entendido e as pessoas tenham interpretado de forma errada”, disse David, desejando boa sorte e uma boa gestão para o novo governo. Então, como o Radar de euzinha também previu, o discurso de Deodato colou, né mesmo? (Da equipe do Radar)