Depois de explodir no Flamengo, Pedro passa à frente de Gabigol na seleção

Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF

Depois de terminar 2019 como maior estrela do futebol brasileiro, artilheiro e campeão brasileiro e continental, Gabriel Barbosa, o Gabigol, encontrou em 2020 uma surpreendente e improvável disputa no Flamengo com Pedro.

Contratado por empréstimo junto à Fiorentina, o centroavante vem tendo grandes atuações, a ponto de parte da torcida já defender a sua permanência entre os titulares, mesmo com a volta do goleador da temporada passada — ele passou outubro se recuperando de lesão no tornozelo.

Se no Rubro-Negro a disputa está aberta e pode até terminar com a formação de uma dupla, na seleção brasileira Pedro já tomou a frente, convocado para integrar o grupo nos confrontos contra Venezuela e Uruguai nos próximos dias 13 e 17, respectivamente, pelas Eliminatórias Sul-Americanas à Copa do Qatar-2022.

Os 20 gols em 36 jogos com a camisa do Fla na temporada credenciam Pedro como merecedor de uma oportunidade na seleção, mas não contam a história inteira — até porque Gabigol não está muito atrás, com 16 gols em 25 partidas, e traz consigo na bagagem desempenho individual e coletivo espetaculares da temporada passada.

Gabriel, entretanto, nunca conseguiu conquistar definitivamente Tite, enquanto Pedro passou por um processo oposto, e tem a admiração da comissão técnica brasileira. Um dos pontos que pesam em seu favor é ter características mais tradicionais de um centroavante, oferecendo uma alternativa de estilo a nomes como o pouco ortodoxo Firmino ou Gabriel Jesus, que costumam atuar centralizados no ataque do Brasil.

Essa admiração não é recente, e Pedro chegou a ser convocado em agosto de 2018, quando ainda defendia o Fluminense, mas sofreu a grave lesão no joelho que o impediu de vestir a camisa amarela. Depois, sofreu entre a recuperação e falta de oportunidades na Europa, e só reencontrou seu futebol nesta temporada.

Se o centroavante tem fatores que pesam em seu favor, Gabigol tem alguns que pesam contra, e que não passam necessariamente por sua qualidade dentro de campo. Há reservas na comissão técnica quanto à postura do jogador desde 2016, focadas especificamente na percepção de que há dificuldades em aceitar iniciar partidas no banco de reservas e pouca disposição em desempenhar funções táticas.

Se o centroavante tem fatores que pesam em seu favor, Gabigol tem alguns que pesam contra, e que não passam necessariamente por sua qualidade dentro de campo. Há reservas na comissão técnica quanto à postura do jogador desde 2016, focadas especificamente na percepção de que há dificuldades em aceitar iniciar partidas no banco de reservas e pouca disposição em desempenhar funções táticas.

O atacante foi convocado em 2018 para confrontos contra Equador e Colômbia, pelas Eliminatórias. Ali, a sua postura de cara fechada no banco de reservas e no vestiário chamou a atenção do treinador brasileiro, e encerrou, pelo menos temporariamente, sua trajetória na seleção.

O embalo gerado pela excelente temporada passada no Flamengo chegou perto, entretanto, de mudar essa realidade, e Tite o convocou para o início das Eliminatórias, que aconteceria em março. A pandemia do novo coronavírus adiou os confrontos e, no novo chamado, em setembro, ainda antes da lesão no tornozelo, Gabigol ficou de fora.

“Você falou do chamado de março para setembro… São seis meses. Mas o que vale é o desempenho técnico, individual. Eu falo para atleta: a mecânica da equipe é uma coisa, o domínio, o passe, estar em forma, isso é responsabilidade do atleta. Serve para todos. Fazemos análise muito mais individual do que o coletivo”, disse o treinador da seleção, em setembro, ao explicar a ausência do camisa 9 do Flamengo na sua lista.

Com a ascensão de Pedro, o atacante ganha um duplo concorrente. No Flamengo, pode ter que brigar por posição ou ser deslocado para os lados do campo para atuar com o centroavante. Na seleção, vê a chegada de mais uma opção para brigar pela atenção de um treinador que ainda não conseguiu conquistar.