Depois de garantir o segundo turno, Marcelo Ramos sai de cena e deixa para seu partido a missão de eleger seu principal alvo de acusações na ALE (ver vídeo)

Marcelo-Laranjal

O terceiro colocado no primeiro turno das eleições para o Governo do Estado, o deputado Marcelo Ramos (PSB), foi decisivo para que houvesse segundo turno nas eleições desse ano com seus 10,97% dos votos do Estado e 17,3% dos votos dos eleitores de Manaus. Neste segundo turno, Marcelo Ramos já decidiu que não subirá no palanque de nenhum dos candidatos (Braga e Melo) e nem pedirá voto pra ninguém. E não poderia ser diferente, com a votação que teve, Ramos se cacifou para ser um dos fortes candidatos nas eleições para prefeito de Manaus em 2016, mas poderia jogar tudo isso fora caso optasse publicamente por um dos candidatos e começassem a surgir – e em eleição não adianta esconder nada porque tudo aparece – os discursos inflamados que já pronunciou da tribuna da Assembleia Legislativa do Estado (ALE) contra Braga e Melo.

E o dilema do pesebista Marcelo Ramos torna-se pior porque, durante a campanha, todo mundo notou que a aversão dele por Braga parecia ser maior do que por Melo. Braga era seu alvo principal nos debates, por exemplo. Mas, os discursos de Ramos contra Melo na tribuna da ALE chegam a superar aqueles que fazia contra Braga. Quer um exemplo? Ramos chegou a acusar Melo de ter “compromisso com a banda podre da polícia” e disse que “o governador Melo em seu pouco tempo de governo superou todos os limites da ética e da moral” (ver vídeo)

Num de seus dias mais irados de opositor, Ramos ocupou a tribuna e classificou o Governo de Omar e Melo de “covarde” por aumentar a carga de impostos sobre a cesta básica, a gasolina e o gás de cozinha. “Esse Governo age como Robin Hood às avessas tira dos pobres para dar para os ricos”, atacou pesebista. E nesse acervo de ataques tem pronunciamento com acusações de todos os tipos, uma mais cabeluda que a outra, contra o governador.

Mas, apesar de Marcelo Ramos dizer que não vai apoiar nem Braga e nem Melo, ele avisa que está avaliando a possibilidade de manifestar publicamente seu voto, já que é contra o voto nulo ou branco. Mas, ainda precisa dizer em quem ele vai votar, hein gente? Por exclusão, ele disse que jamais votaria ou apoiaria Braga, então quem sobrou? Pelo amor de Deus, esse discurso faz a gente se sentir meio idiota, leso mesmo! Depois esse povo esculhamba Praciano porque fez aliança com Braga, mas pelo menos o cara mostrou logo de que lado estava, não ficou escamoteando intenções, como se a gente pudesse ser tratado como massa de manobra – e quem está escrevendo isso considera Marcelo Ramos um dos caras mais brilhantes que já surgiram na política e já votou nele, assim como em Praciano também.

E ainda tem jornalista que não conseguiu enxergar a manobra política mais antiga que pinguim na geladeira, quando alguém manifesta publicamente uma posição política e nos bastidores faz outra coisa, algo que já foi usado em campanhas anteriores como a de 1992, por ninguém menos que Amazonino Mendes, rival histórico do PSB de Marcelo Ramos, mas que parece estar servindo de inspiração dessa vez. E assim como em 1992 se comportou a terceira via, Nonato Oliveira – se quiserem temos essas memórias no Baú do Radar – o deputado Marcelo Ramos sai de cena só publicamente e não vê nada de errado do partido em que, atualmente, é a principal liderança se aliar, fazer palanque e ir às ruas pedir votos para um candidato a quem ele já acusou até mesmo de ter se “aliado com a bandidagem”.