Depois de muito desgaste, presidente da ALE decide instalar CPI da Pedofilia, mas dando um jeito de neutralizar oposição

josue netoDurante toda a pendenga para instalar na Assembleia Legislativa do Estado (ALE) a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar casos de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes, o que se entendeu em todas as declarações públicas feitas pelo deputado-presidente Josué Neto (PSD), é que todas as decisões ficavam a cargo de um colegiado de líderes. Em nenhum dos atos que envolveram a instalação da CPI, Josué Neto quis posar de protagonista da cena, atitude alardeada em tudo que é veículo de imprensa como um comportamento de democrata.

É só lembrar que após 22 dos 24 deputados da Casa assinarem o requerimento de instalação da CPI, quem solicitou parecer jurídico da Procuradoria da Casa foi o líder do Governo, Sinésio Campos (PT), e quem assumiu a cadeira de presidente para acatar o pedido e empurrar com a barriga a instalação da CPI para depois do carnaval foi Belarmino Lins (PMDB). E depois do carnaval, e de toda a pressão pública, e do fato de que não encontraram, nem caçando com lupa, brecha em alguma Lei para apontar ilegalidade na instalação da CPI, o jeito foi à procuradoria emitir parecer pela legalidade da formação da comissão.

Diante da situação, restou ao deputado-presidente, sem querer meter a mão nesse abelheiro passar a responsabilidade de instalação ou não da CPI, como sempre, para o colegiado de líderes que, por maioria, decidiu só instalar a comissão depois das eleições, quando não dá mais tempo porque são necessários quatro meses de trabalho e isso significa ir parar em outra legislatura, em fevereiro, quando parte dos deputados que assinaram a CPI pode não estar mais na Casa. E, afinal, em fevereiro tem mais um carnaval, pra salvar a “pátria” dos que dizem “cruz credo” pra CPI.

Mas, essa decisão resultou em críticas de todo tipo, nos meios de comunicação e nas redes sociais. Como diz o irmão caboclo, foi peia de tudo que é lado. E esse tipo de desgaste num ano eleitoral é sinônimo de suicídio político. Bem que tentaram reverter à situação com uma campanha publicitária milionária, mais precisamente R$ 1,5 milhão – tá vendo como a gente sabe? – no horário nobre de televisão, mas nem isso deu jeito – mas também aquela campanha não convencia ninguém, né,gente? Então, a única luz vista no final do túnel eleitoral pra quem quer se reeleger é instalar mesmo essa comissão e minimizar o desgaste público . E, foi com surpresa que vimos, e lemos nos releases da assessoria do deputado-presidente Josué Neto, que “a CPI pode ser instalada dentro de poucos dias na ALE e que a decisão partiu do presidente Josué Neto que, nesta quinta-feira subscreveu requerimento assinado por sete dos 13 líderes partidários, solicitando reunião urgente do Colégio de Líderes para decidir a questão” – decidiu assinar agora, né?

Vão instalar a comissão, mas não sem antes dar um jeito de tirar de cena o pessoal da oposição que, na opinião da turma do presidente, já ganhou muita mídia, está com popularidade em alta – e na disputa por uma cadeira agora todo mundo é adversário, não é mesmo? – e é apontada como responsável pelo desgaste público dos colegas quando criticou publicamente o fato da CPI não ser instalada. O deputado-presidente, Josué Neto, que resolveu não ser mais coadjuvante e sim ator principal já indicou até os nomes para compor a comissão, onde o autor do requerimento de criação da CPI, deputado Luiz Castro, não aparece nem como membro, e nem quem esteve na “tricheira” com Castro lutando pela CPI. O deputado José Ricardo Wendling (PT) também ficou de fora. E para o deputado Marcelo Ramos (PSB) e a deputada Conceição Sampaio (PP), sobrou apenas os cargos de membros. (Any Margareth)