Deputada diz ter sido vítima da truculência de major da Assembleia Legislativa (ver vídeo)

A deputada Alessandra Campêlo (Pc do B) disse que denunciará, nessa terça-feira (02), da tribuna da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), um dos membros da Casa Militar, Major Falabella de tê-la desrespeitado e tratado com truculência durante o episódio que envolveu Hinaldo de Castro Conceição, membro do movimento “Levante Popular da Juventude”, detido por policiais militares da Casa, após jogar notas de dinheiro falsas no governador José Melo durante coletiva de imprensa.

“Eu nem sabia que tinha acontecido nada. Ai um assessor do deputado José Ricardo chegou comigo e disse: o deputado José Ricardo está indo lá no primeiro andar porque um rapaz (Hinaldo), que fez um protesto contra o governador, foi detido e está preso numa sala e parece que bateram nele”, contou Alessandra.

Dinheiro falsoA parlamentar disse que foi até a sala, no primeiro andar da Aleam, onde o rapaz estava detido. “Ele estava chorando, os documentos dele estavam em cima da mesa, acho que pediram os documentos dele, não sei, e o José Ricardo tinha chegado lá há pouco. Eu perguntei do rapaz o que aconteceu. Ele disse: Fui agredido. Eles me trouxeram pra essa sala, chegando aqui eles me jogaram no chão, me chutaram e deram tapas na minha cara. Eles me empurraram com tanta força na porta que quebrou o trinco”, relata a deputada, acrescentando: “Realmente a maçaneta da porta estava quebrada”.

Hinaldo teria dito ainda para Alessandra Campêlo que os policiais militares da Assembleia Legislativa determinaram que ele iria ficar preso nessa sala e seria levado por uma viatura. “Eu perguntei para o capitão qual foi o crime que ele cometeu. Porque ele fez um protesto pacífico. O mesmo aconteceu lá em Brasília com Eduardo Cunha (presidente da Câmara Federal) e ninguém foi preso”, comentou a deputada

Alessandra disse não conhecer Hinaldo. “Eu nunca vi esse rapaz. Eu perguntei: você é de algum partido político? Antes que ele respondesse alguém da Casa Militar disse que ele tinha sido pago pra fazer isso. Eu perguntei pra ele:  você foi pago pra fazer isso? Ele disse que não. Eu perguntei: você é funcionário público? Ele disse não? Você é de algum partido político? Ele disse não. Ai eu peguei e questionei com o capitão: “Quem mandou prender ele aqui?”. O capitão disse que foi o major Falabella. Então eu disse: Chame o major aqui, agora. E o major não foi. Mandou recado dizendo que só ia depois”, contou a parlamentar.

Nesse momento, segundo Alessandra, ela disse ao capitão pra avisar o major Falabella que estava levando o rapaz para uma delegacia porque a prisão dele era ilegal. “Primeiro, porque se for comprovado que vocês bateram nele é crime, segundo que ele ficar preso nessa sala é ilegal. A assembleia não é prisão, é um absurdo na casa do povo uma pessoa ficar detida e ser agredida”, reclamou a deputada.

Neste momento, Alessandra conta que saiu da sala acompanhada do rapaz e de dois outros deputados, José Ricardo Wendling (PT) e Luiz Castro (Rede). Conforme seu relato, o major (Fallabela) falou para o capitão não deixá-la sair. Mas, o major teria se recusado a cumprir a ordem dizendo que não poderia “segurar uma deputada dentro da assembleia pra não fazer uma coisa que ela estava no direito de fazer”.

“Então, desci de elevador do térreo para o subsolo, eu, José Ricardo, o garoto e o Luiz Castro. Íamos colocá-lo num carro para levá-lo para uma delegacia, pra registrar a ocorrência. Quando eu fui sair do elevador, o major Falabella se postou na porta e disse que eu não ia sair com aquele rapaz. Eu disse pra ele sair da frente e ele gritou: “a senhora não vai sair com ele! Ficou na minha frente, continuou gritando comigo, e não deixava eu passar. Eu engrossei a voz com ele, mandei ele me respeitar e tive que passar imprensada, a ponto de me machucar na saída do elevador”, relatou Alessandra, acrescentando: “Eu perguntei a ele (major Falabella): “Você tá pensando o quê, que tá na época da ditadura quando quem fazia protesto ia preso?”.

Alessandra disse que vai à tribuna comunicar o desrespeito e a truculência que sofreu por parte do policial militar: “ Quero uma providência porque isso é um absurdo. Não interessa se o deputado é de oposição, ou situação, ou se é um servidor comum da casa, ele não pode agir dessa forma com ninguém”, afirma. (Any Margareth)