Deputado cobra da SES relação de empresas denunciadas pela CPI da Saúde que continuam com contratos no governo

Deputado Wilker Barreto cobrou nesta segunda (20) a lista de nome das empresas

O deputado estadual Wilker Barreto (Cidadania) aproveitou a apresentação dos Relatórios do 3º Quadrimestre 2021 e 1º Quadrimestre 2022 da Saúde (RQDS), realizado nesta segunda-feira (20) para cobrar que  Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) informe a relação das empresas denunciadas pela CPI da Saúde em 2020 e que continuam prestando serviços junto ao Governo Wilson Lima (União Brasil).

Wilker descobriu que mesmo com todas as irregularidades na contratação dessas empresas detectadas, após investigação feita pela CPI da Saúde, empresas denunciadas pela comissão parlamentar de inquérito continuam recebendo dinheiro público do governo de Wilson Lima para prestação de serviços.

Na reunião, que ocorreu de forma virtual, Wilker pediu do secretário executivo da pasta, Jani Kenta, que fosse disponibilizada uma lista contendo o nome das empresas que estão em atividade na estrutura do Governo, mesmo sendo indiciadas no relatório final da CPI da Saúde em 2020, instalada na Casa Legislativa para apurar irregularidades em contratos firmados pela antiga Susam, hoje SES-AM.

O deputado relembrou que a empresa Líder Serviços de Apoio Gestão de Saúde LTDA e seu sócio-administrador, Sérgio Chalub, denunciados na CPI da Saúde, continuam ligados ao Governo do Amazonas através de contratos celebrados em cinco unidades de saúde, além de processos indenizatórios na Maternidade Cidade Nova Dona Nazira Daou II. Para isto, o empresário apresentou a empresa com o nome de Madim Manaus Diagnósticos Médicos de Apoio a Gestão de Saúde Ltda, cujo CNPJ continua o mesmo, tentando burlar, assim, os órgãos de controle.

“O que me causa surpresa é que, mesmo a CPI da Saúde solicitando o indiciamento de algumas empresas, a secretaria desconsiderou o encaminhamento do Poder Legislativo estadual. Cito o exemplo da Líder, que só mudou o nome fantasia, passou a se chamar Madim e avançou em outros contratos. Por isso, já peço ao secretário todos os processos dessas empresas denunciadas pela Assembleia, eu quero verificar quem deu a anuência para contratar em caráter indenizatório empresas denunciadas por fraude à licitação, desvio de recursos, entre outras práticas criminosas”, afirmou Barreto.

No dia 9 de junho deste ano, Wilker revelou que a empresa Madim Diagnósticos é registrada no CNPJ 08.219.827/0001-00, o mesmo da antiga Líder Serviços, indiciada na Comissão pela prática de improbidade administrativa, após fornecer ao Estado sem comprovar capacidade técnica. Sérgio Chalub figurou na lista de indiciamentos da CPI pelos crimes de falsificação de documento público, falsidade ideológica, fraude à licitação e fraude a ato de licitação. No dia 2 de junho de 2021, durante a deflagração da quarta fase da Operação Sangria da Polícia Federal (PF), Chalub também foi preso pela ação que investigou se funcionários da secretaria da Saúde fizeram contratação fraudulenta para favorecer grupo de empresários.Conforme o Portal da Transparência, a Madim (antiga Líder) presta serviços de lavagem na Maternidade Cidade Nova Dona Nazira Daou e têm contratos firmados nas seguintes unidades hospitalares: os HPS 28 de Agosto e Dr. Platão Araújo, as Fundações de Medicina Tropical e Adriano Jorge e o Pronto Socorro da Criança Zona Sul. Somente em 2022, a empresa já recebeu R$ 2.355.312,91 milhões do Governo.

A CPI da Saúde

O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde, foi entregue em novembro de 2020 para o Ministério Público do Amazonas e à Controladoria-Geral da União. Na época, a CPI foi instaurada para apurar suspeita de desvios de dinheiro público durante a pandemia de Covid-19 e em gestões anteriores, ligados a saúde.

Entre os objetos de investigação da CPI, a compra de Wilson Lima de 28 respiradores junto a uma empresa de vinhos e que foi ligada ao  marido da ex-secretária de Estado de Comunicação, Daniela Assayag, pelo valor de R$ 3 milhões. Oito pessoas foram presas por suspeita de envolvimento no esquema criminoso, entre elas a secretária de Saúde da época, Simone Papaiz.