Deputado constata que pacientes do Francisca Mendes passam meses esperando pela realização de exames

José Ricardo 13 A

Em mais uma visita de fiscalização aos hospitais da cidade e após receber denúncias de longa espera para realização de exames especializados, como de ecocardiograma e de hemodinâmica, o deputado José Ricardo Wendling (PT) esteve na manhã desta sexta-feira (13) no Hospital Francisca Mendes, na Zona Norte, referência na área cardiológica. Essa é a terceira visita que faz ao longo dos mandatos parlamentares.

“Conhecemos a realidade desse importante hospital e vimos o quanto necessita de mais investimentos públicos, como compra de equipamentos e contratação de novos profissionais especializados, para atender a população com mais dignidade. Mas não falta dinheiro, falta o Estado dar prioridade à saúde. Porque dinheiro tem para pagar R$ 56 milhões somente em aditivos para empreiteira que está duplicando a AM-070 (Manaus-Manacapuru). Isso sem falar nas denúncias de que mais da metade das obras do Estado têm algum tipo de irregularidade e de desvio de recursos. Um escândalo que queremos investigar por meio de CPI na Assembleia, mas que, infelizmente, os deputados da base do governador se negam a apoiar”, declarou o deputado, informando que irá encaminhar todas as denúncias detectadas no Francisca Mendes à Secretaria de Estado da Saúde (Susam), além cobrar o Governo no plenário da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam).

Durante a visita do parlamentar, pacientes reclamaram que estavam há quatro meses esperando pelo exame de ecocardiograma e ainda sem data prevista, uma vez que dependem da liberação do Sisreg (Sistema de Regulação do SUS). O problema é que só existem três aparelhos desse na unidade, sendo que apenas dois estão atuando nessa especialidade, para atender pacientes de vários hospitais públicos, incluindo, os prontos-socorros 28 de Agosto e João Lúcio Machado. “A direção nos informou que um aparelho desse custa uma média de R$ 300 mil e é feito somente por um cardiologista. Não precisaria de milhões para resolver essa fila e salvar a vida de tanta gente que precisa desse exame para definir se será ou não submetido a cirurgia e ter seu problema cardiológico resolvido”, explicou ele, que irá propor a aquisição de mais aparelhos para ecocardiograma em forma de emenda à Lei Orçamentária Anual (LOA)/2016.

Outra problemática do hospital é com relação aos exames de hemodinâmica. O deputado contou que existem dois aparelhos no local, um antigo, com defeito e sem peça de reposição; e outro que está funcionando, mas de forma deficitária, sem realizar alguns tipos de procedimentos mais especializados na área neurológica. “Nos informaram que a única empresa que faz a manutenção nessa máquina em operação não pode resolver a demanda porque o Estado deve milhões de reais em serviços e compra de aparelhos. E o que é pior: fazem procedimentos delicados na área neurológica, mas não têm a infaestrutura para atuar em casos de complicações. Em casos de cirurgias de urgência, os pacientes são encaminhados para outros hospitais, como o João Lúcio”. Um aparelho de hemodinâmica custa uma média de R$ 2 milhões aos cofres públicos. “Vou cobrar do Estado a compra desse equipamento, como ainda propor como emenda à LOA”, garantiu.

José Ricardo também esteve na Central de Laudos de Mamografias, que fica dentro do Francisca Mendes, e que atende Manaus e todo o interior do Estado. No local, o médico radiologista de plantão informou que hoje cerca de 40 municípios estão com mamógrafos em funcionamento. “Mas o grande problema ainda é a comunicação, via internet, com esses locais. Exames que são enviados às 18h só vão chegar à Central horas depois. E o que está acontecendo com o restante das cidades? A presidenta Dilma liberou recursos e o Estado comprou mamógrafos para todos os municípios. Vamos continuar acompanhando e cobrando o seu funcionamento, porque esses equipamentos salvam vidas”, afirmou o parlamentar. A Central de Laudos disse ainda que não há acúmulo de laudos no setor e que demoram uma média de uma semana para enviar o resultado aos hospitais.

José Ricardo 13 B