Deputado e ex-prefeito são alvos da operação ‘Cachoeira Limpa’ que apura fraudes de R$ 23 milhões no AM

 

A operação “Cachoeira Limpa” cumpre 13 mandados de busca e apreensão e 12 de buscas pessoais em Manaus e nos municípios de Presidente Figueiredo e Parintins, no Amazonas, na manhã desta segunda-feira (12). A apuração envolve o Ministério Público Estadual e a Polícia Civil.

A ação investiga fraude em licitação e crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa em Presidente Figueiredo (a 117 quilômetros da capital) na gestão do ex-prefeito Romeiro José Costeira Mendonça (2017 a 2020) e gerou prejuízo estimado em R$ 23 milhões.

Entre os alvos da operação o deputado estadual Saullo Velame Viana, o ex-prefeito Romeiro, o ex-vice-prefeito municipal – Mário Jorge Bulbol Abrahão; o então Secretário Municipal de Finança de Presidente Figueiredo – Jander de Melo Lobato; o então Presidente da Comissão Permanente de Licitação – Jender de Melo Lobato.

Segundo o MP, também há empresários envolvidos que, conforme apuração do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) que combinavam frustrar ou fraudar o caráter competitivo de vários procedimentos licitatório com o intuito de enriquecimento ilicitamente.

O MP informa que para executar o desvio do dinheiro público, os envolvidos instituíram ou adquiriram diversas pessoas jurídicas, as quais são controladas pelo deputado estadual Saulo Viana, na época cunhado do senhor Mário Abrahão, que se valeu de laranjas para a constituição do quadro societário.

O Ministério Público pediu ainda, a prisão do Deputado Estadual Saullo Velame Viana, do ex-prefeito, do ex-vice-prefeito, do Secretário Municipal de Finanças, do Presidente da CPLs e dos empresários Rosedilse de Souza Dantas, sócia da empresa RAV Construções e Transporte, atual INCAS Construções; Márcio Frota Barroso, sócio da empresa Engefort Construções, atual Diretriz Engenharia; Paulo Sampaio da Silva, sócio da empresa Amsterdam/SVX Serviços, atual Porto Serviços Profissionais, da qual o Deputado Saullo Viana atuava procurador, em substituição a sua genitora (Célia Viana), entre outros. Ministério Público também requereu o afastamento do cargo do Deputado Estadual, mas a justiça negou os pedidos.

Os relatórios financeiros obtidos a partir da medida cautelar de quebra do sigilo bancário deferida pela justiça revelam relação financeira suspeita entre as empresas que participaram dos mesmos certames licitatórios em Presidente Figueiredo, aponta parecer uma conta única, onde umas pagam as contas das outras e, não só, todas elas pagam as contas pessoas do Deputado Saullo Viana e de sua genitora.

A organização criminosa teve início na cidade de Parintins no ano de 2010 e já foi capaz de eleger um Deputado Estadual e um Vereador na cidade de Manaus.

As investigações do GAECO estão na fase final e logo serão enviadas ao Poder Judiciário.

Em resposta às acusações, o deputado estadual Saullo Vianna, um dos alvos da operação “Cachoeira Limpa”, negou seu envolvimento nos crimes de fraude em licitações, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Ele afirmou que está “à disposição para colaborar”, dizendo-se “o maior interessado em que tudo seja esclarecido”. O parlamentar diz ainda que “até agora nada foi comprovado”.

“Já acionei minha equipe jurídica para que tome conhecimento sobre o que está sendo investigado e possamos dar nossa total colaboração para que tudo seja esclarecido, garante Saullo Vianna.

(*) Com informações da assessoria do MPAM e da assessoria do deputado