Deputado e Sindicato dos Peritos denunciam falta de estação de tratamento e estrutura caótica do IML

foto das gavetas no Instituto Médico Legal

O deputado Sinésio Campos (PT) viu de perto na manhã desta sexta-feira (28), a situação precária do Instituto Médico Legal (IML) e toda a Perícia Técnica, que vem sendo denunciada constantemente pelo Sindicato dos Peritos Oficiais do Estado do Amazonas (SINPOE/AM). Para o parlamentar, o que mais chamou atenção foi a falta de uma estação de tratamento de esgoto, que segundo ele, está causando o descarte de resíduo tóxico diretamente no meio ambiente. Além disto, o Radar já vem denunciando a estrutura caótica do IML desde 2019, que compromete até mesmo o trabalho dos peritos. (veja vídeos no final da matéria)

“Constatamos que não existe aqui no IML uma estação de tratamento de drenagem e esgoto de todos os resíduos produzidos aqui. Então vamos lutar aqui, para que possa entrar recurso para conseguirmos a estrutura necessária para o funcionamento do IML”, disse Sinésio Campos.

Entre as irregularidades constatadas na fiscalização, está a falta de insumos. O órgão é responsável por fazer diversos exames como; necropsia, corpo de delito entre outros, mas a falta de estrutura acaba prejudicando a população.

“As pessoas estão vindo a óbito e ninguém sabe do que elas estão morrendo, se é overdose, se é problema de asfixia ou crimes. Aqui temos profissionais que podem dar esses laudos, mas faltam insumos, faltam as mínimas condições para eles trabalharem”, concluiu o deputado.

Perícia comprometida

O presidente do Sindicato dos Peritos Oficiais do Estado do Amazonas (SINPOE/AM), Ilton Soares, explicou que além do IML o Instituto de Criminalista também está com falta de estrutura. Segundo Ilton Soares, a partir do momento que as investigações são comprometidas, os crimes não são solucionados.

“Todos trabalham para o mesmo objetivo que é solucionar os crimes e você poder condenar o culpado e inocentar o inocente, e quando a perícia não funciona isso é um problema, porque não se faz justiça”, disse.

Ainda segundo Ilton Soares, já fazem 10 anos que a categoria faz denúncias sobre a necessidade de uma reforma e reestruturação no prédio, mas até o momento nada foi feito.

“A gente não considera passar uma tinta, uma reforma. Temos uma série de denúncias que se arrastam há mais de 10 anos. Nós trabalhamos hoje com prédio antigos, sem vistoria de corpo de bombeiros, sem as normas regulamentadoras, porque aqui temos laboratórios que trabalham com substância entorpecente, com munição, produtos inflamáveis e na prática toda a estrutura está condenada.”. Concluiu Ilton Soares.

O Radar entrou em contato com a assessoria do Governo do Amazonas para questionar a respeito da falta de insumos e falta de estrutura no local, mas até a publicação desta matéria não obteve resposta.