Deputado pede investigação sobre denúncia de uso ilegal de sistema da SSP para grampear autoridades do AM

O deputado Dermilson Chagas (Republicanos) ganhou apoio dos deputados Serafim Corrêa (PSB) e Wilker Barreto (Cidadania)

Foto: Divulgação

Em discurso na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), o deputado estadual Dermilson Chagas (Republicanos) cobrou, nessa quarta-feira (12), esclarecimentos a respeito de uma denúncia sobre o uso ilegal do “Sistema Guardião”, popularmente conhecido como “maleta espiã”, em 2020 e 2021, na gestão do então secretário de Segurança Pública, coronel Louismar Bonates, para monitorar conversas telefônicas de autoridades do Judiciário (Tjam) e do Ministério Público do Amazonas (MPAM).

Segundo o parlamentar, o caso foi revelado após um depoimento do delegado Samir Freire, ex-secretário adjunto de Inteligência do Governo Wilson Lima, no dia 29 de julho de 2021 ao MPAM. Vale lembrar que o delegado Samir foi preso durante a Operação “Garimpo Urbano”, suspeito de envolvimento em roubo de ouro legal e ilegal de garimpeiros no Amazonas.

Dermilson considerou a declaração de Samir grave e cobrou respostas a respeito do caso durante pronunciamento na Aleam.

“Esse depoimento do delegado Samir é muito grave, porque significa que o Estado ultrapassou todos os limites e desrespeitou os três poderes e não respeitou a Constituição Federal. Dessa forma, está comprometida a liberdade de expressão das pessoas, assim como está comprometida a vida pessoal e profissional das pessoas. E agora nós entendemos que muita coisa não anda de fato e de direito no Estado. Nós precisamos de respostas claras. E nesse momento, eu estou pedindo uma auditoria, junto com outros deputados, para saber se prefeitos, ex-prefeitos, secretários e vereadores foram grampeados pelo Guardião, que está à disposição do governador com uma pessoa de confiança dele”, disse.

A declaração do parlamentar ganhou apoio dos deputados Wilker Barreto (Cidadania) e Serafim Corrêa (PSB), que ficaram revoltados com a denúncia.

“É de uma gravidade sem precedente, a Assembleia Legislativa do Amazonas precisa formalizar ao Ministério Público para que investigue se houve grampo de deputados estaduais. Peço ao deputado Dermilson (Chagas) para que possamos provocar o MP. Acredito que não é somente uma questão minha e do Dermilson. Só posso conseguir observar isso em semelhança aos governos da China e da Rússia, mas não no Brasil”, falou Wilker.

“Vejo com muita preocupação, imaginem, ninguém pode ser grampeado a não ser por ordem judicial. Mas na hora em que o depoimento de um ex-secretário de Inteligência revela que grampeava magistrados, procuradores e promotores, o que dirá de um cidadão comum? Isso é a quebra dos limites do estado democrático de direito, o mínimo que se pode exigir é que o Judiciário e o Ministério Público se posicionem de forma muito clara”, complementa Serafim.

Esclarecimentos

O deputado pediu à Aleam para que o requerimento solicitando a presença do atual secretário de Segurança Pública, general Carlos Alberto Mansur, seja aprovado para ele poder dar as respostas que os parlamentares e a sociedade precisam receber.

“Por que grampear autoridades? Qual o objetivo? Qual foi o propósito? Foi a mando de quem? Tudo isso precisa ser esclarecido, porque o governador Wilson Lima tem inúmeras denúncias, responde a vários processos e já foi alvo de operações da Polícia Federal, e hoje vimos, na imprensa, que noticiou o depoimento do delegado Samir, que o Governo do Estado rompeu todos os limites constitucionais. O Amazonas não pode virar uma terra sem lei”, reitera.

O Radar Amazônico entrou em contato com a SSP-AM solicitando um posicionamento a respeito do assunto. Até a publicação desta reportagem, não houve resposta.