Deputados debatem sobre denúncias contra Hapvida, enquanto governo do Estado paga R$ 92 milhões

Governo após governo, o contrato com a Hapvida vem sendo mantido e as denúncias também são frequentes, ano após ano.

A prestadora de serviços médicos Hapvida, foi mais uma vez alvo de denúncias na sessão plenária desta terça-feira (28) da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam) pela falta de assistência médica aos servidores da Secretaria de Educação do Estado (Seduc), conforme determina contrato firmado com a empresa que deveria prestar assistência de saúde a cerca de trinta mil servidores da área de educação da capital e do interior.

Vale lembrar que o contrato foi firmado durante o governo de José Melo, e foi alvo de denúncia do Radar Amazônico através da matéria datada em novembro de 2016, intitulada “Com uma saúde pública caótica, Governo de Melo gasta R$ 41 milhões para pagar plano de saúde”. O secretário de educação da época era Algemiro Ferreira Lima.

Governo após governo, o contrato com a Hapvida vem sendo mantido e as denúncias também são frequentes, ano após ano. Num levantamento preliminar feito pelo Radar, descobriu-se que o governo de Wilson Lima pagou R$ 92 milhões do ano passado até os dias atuais para a empresa Hapvida. (ver documento com as despesas no final da matéria)

“Foi celebrado contrato para que a Hapvida atendesse 30 mil servidores da Seduc. Esses servidores não receberam até hoje essa assistência. Então, a Hapvida está se apropriando de forma indevida desses recursos públicos”, criticou o vice-presidente da Comissão de Educação da Aleam, deputado Sinésio Campos (PT) que trouxe novas reclamações de servidores da Seduc que não conseguem atendimento no interior do Estado.

Anúncio não era verdade

Sinésio Campos lembrou ainda que, em agosto ano passado, em transmissão feita do Centro de Mídias da Seduc, com a presença dos diretores da Hapvida, do então secretário estadual de Educação, Luis Fabian, de deputados estaduais e do próprio governador Wilson Lima, foi feito o anúncio de que o atendimento de saúde da Hapvida seria implantado em onze cidades-polo do Estado fazendo com que os serviços de saúde ficassem disponíveis para todos os servidores da educação, não só os da capital, mas todos os que trabalham e residem nos municípios do interior do Amazonas.

“Wilson Lima chegou inclusive a determinar data para o início de agendamento de consultas e exames por parte dos servidores da Seduc do interior do Estado, 5 de outubro do ano passado. Mas nada do que foi dito era verdade, já que não houve implantação da Hapvida nas cidades-polo, segundo contaram os próprios deputados.

Bom lembrar que esse atendimento para todos os servidores da Seduc, sem exceção já estava previsto desde 2016, o que nunca foi cumprido pela Hapvida, ou seja, recebeu milhões e não prestou os serviços médicos na sua totalidade.

Cadê o TCE e o MP

O deputado Dermilson Chagas (Podemos) se dispôs a ir com seu colega de Parlamento, deputado Sinésio Campos, aos órgãos de controle das administrações públicas, como o Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCEAM) e o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPEAM) para saber se os conselheiros de contas e os promotores de Justiça, durante os anos de vigência desse contrato com a Hapvida não identificaram que os pagamentos foram feitos sem a devida prestação de serviços médicos. “Até agora ninguém viu essas ilegalidades?”, questionou Dermilson.

Enquanto isso…

Enquanto Sinésio Campos e Dermilson Chagas debatiam o pagamento de milhões para a Hapvida e a falta de assistência de saúde aos servidores da educação, a presidente da comissão de Educação da Assembleia Legislativa do Estado, Terezinha Ruiz (PSDB) primeiro sumiu do plenário e depois que retornou sequer citou o assunto da descaso do governo e da Hapvida com os profissionais de educação do estado.

Já o líder do Governo de Wilson Lima, o deputado do Patriota, Felipe Souza, ser resumiu em dizer que a Hapvida ainda vai instalar o atendimento de saúde nas cidades-polo no final deste ano. Mas não explicou porque o governador anunciou no ano passado algo que não existia e nem porque pagou por um serviço de saúde que não existe.

O deputado Sinésio retrucou: “então a Hapvida tem que devolver o dinheiro que recebeu já que não prestou o serviço”. O líder do governo apenas se calou.

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