Deputados dizem que Amazonino paga pra empresa norte-americana por algo que já existe no Amazonas

Ao ouvir deputados da Assembleia Legislativa falarem sobre o relatório, apresentado nessa quarta-feira (27), pelo ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, dono da empresa de segurança que fechou contrato com o Governo do Estado por R$ 5,6 milhões, tem-se a quase certeza de que a população está sendo vítima de uma enganação.

O relatório é apontado pelo governador Amazonino Mendes como a primeira fase de um diagnóstico sobre a violência no Amazonas e ações para reduzir a criminalidade no Estado. Esse documento já custou aos cofres públicos R$ 1,7 milhão de uma primeira parcela paga pelo governo para a empresa norte-americana. Segundo os deputados, o relatório traz informações que autoridades da área de segurança no Estado viveram repetindo ano após ano e governo após governo.

“O primeiro relatório de Rudolph Giuliani, sobre a situação da segurança no Amazonas repetiu o que secretários de segurança e comandantes do Exército já haviam divulgado – que a diminuição na criminalidade depende do combate ao tráfico de drogas na fronteira”. definiu o deputado Serafim Corrêa (PSB) . Todos nós já sabemos disso. Isso foi cantado em prosa e verso pelo ex-secretário de Segurança, Sérgio Fontes, que com muita competência conseguiu aumentar o nível de apreensão de drogas na cidade de Manaus. Isso também foi demonstrado para nós, e com riqueza de detalhes, pelo general Theophilo, quando esteve à frente do Comando Militar da Amazônia”, declarou. Para Serafim os milhões gastos dos cofres públicos nada mais é do que marketing eleitoreiro.

Pagando pelo óbvio

Quase o mesmo raciocínio de que estamos pagando pelo óbvio, foi dito pelo deputado José Ricardo Wendling (PT). Segundo ele, os estudos e análises que estão no relatório de Giuliani são feitos no Brasil por duas instituições que, anualmente, mostram dados sobre a violência no país, com recortes para todos os estados: Atlas da Violência, do Instituto de Pesquisa Econômico Aplicada (Ipea); e Mapa da Violência, do Ministério da Justiça. “Qual a novidade nisso?”, disparou.

O parlamentar lembrou que a criação de um banco de DNA, que é outra sugestão do especialista norte-americano para ajudar a solucionar os crimes, é uma reivindicação antiga dos peritos da polícia técnica científica, que foi até externado em audiência na Assembleia Legislativa. “Sabemos que hoje a Polícia Civil não utiliza dessa tecnologia. É uma necessidade antiga”.

Com relação à situação dos presídios, que a empresa contratada quer fazer um diagnóstico no segundo semestre, o parlamentar também disse que a superlotação, as mortes e as fugas já são uma realizada sabida por todos e até sobre o diagnóstico. Lula e Dilma criaram um Plano Nacional de Segurança Pública, com ações e soluções, mas que não chegou a ser implementado porque muitos estados não têm interesse em resolver o problema.