Descaso na construção de pontes durante a cheia é denunciado por moradores do São Jorge (ver vídeo)

Moradores pedem que a prefeitura realize reparos nas pontes que estão apodrecendo com o aumento do nível do rio. / Foto: Radar Amazônico

“Minha casa virou um zoológico, já apareceu cobra, jacaré e mucura”, relata um dos moradores do beco Inácio Magalhães, no bairro São Jorge, zona Oeste de Manaus, que tem sido prejudicado pela falta da manutenção e construção de pontes neste período de cheia do rio Negro. Durante live do Radar, realizada nessa quarta-feira (12), moradores denunciam o descaso da prefeitura e defesa civil.

Uma das moradoras, Nicole Sena, aponta que a manutenção das pontes está tendo que ser feita por conta própria. Ela, que tem 17 anos e passa por uma gravidez de risco, revela que precisou tirar uma das tábuas da sua casa para reparar as falhas da ponte para tentar se prevenir de algum possível acidente.

“Fizemos isso porque a ponte já estava sem estrutura adequada e corríamos risco de sofrer acidentes, principalmente eu, que estou no fim de uma gravidez de risco. O pior é pensar que esse é um dinheiro sem volta, pois não somos indenizados”, apontou.

Além dela, outros moradores apontam dificuldades em receber assistência de infraestrutura da prefeitura de Manaus. Uma das mulheres que moram no local, relatou que para visitar a irmã precisa pegar uma canoa, pois a ponte já está coberta pelas águas do rio.

Descaso da Defesa Civil

A população aponta que a defesa civil visitou o local mas não retornou para realizar os serviços /Foto: Radar Amazônico

A Defesa Civil já esteve no local há cerca de um mês para marcar as casas e dimensionar os locais que precisam de reparos e de novas pontes. Entretanto, os moradores afirmam que eles não voltaram desde então e nem sequer informaram a data do retorno.

Enquanto o problema das pontes não é solucionado, a população que vive no local segue sendo exposta a poluição das águas com lixos e animais peçonhentos. Além disso, o problema das pontes resulta em diversos acidentes e problemas de saúde entre as crianças.

“Diversas crianças já caíram nessa água suja e se afogaram. Meu filho foi um desses que caiu e tempos depois desenvolveu problemas de pele e ficou doente” diz uma das moradoras.

Casas afundadas

Apesar de fugirem da cheia, muitas famílias perdem suas casas para o rio e aguardam o único amparo que podem contar, o auxílio moradia do governo estadual/ Foto: Radar Amazônico

Apesar de algumas famílias do local tentarem driblar o problema das inundações, muitas não conseguem e perdem suas casas.

“Uma das minhas vizinhas perdeu a casa porque o rio ‘engoliu’ e agora está morando de favor em uma casa. E quando ela precisar sair, para onde vai?” relata um popular.

Nesse sentido, os moradores do beco Inácio estão ficando cada vez mais apreensivos com o medo de perderem suas casas e bens, como eletrodomésticos, e querem saber quando receberão o auxílio financeiro de r$ 300, anunciado pelo governo do estado no último dia 6 deste mês.

“Só queríamos resolver pelo menos o problema dessas pontes, pois apesar do governo anunciar esse auxílio de R$300, não fazemos ideia de quando teremos esse dinheiro, que apesar de não ser suficiente para arcar com os gastos de um aluguel e conta de energia, poderia ajudar na compra das madeiras” disse um morador.

Questionada sobre a previsão dos pagamentos do auxílio, a secretaria de comunicação do estado do governo, respondeu:

“A Defesa Civil do Amazonas já iniciou o cadastramento e entrega dos cartões do Auxílio Estadual Enchente para os seis primeiros municípios, que até o momento são os mais afetados pela cheia dos rios. Cabe ressaltar que todas as cidades afetadas e com decretos de situação de emergência homologados, entre elas Manaus, serão atendidas.”

Entretanto, nenhuma previsão de datas para o pagamento dos moradores da cidade de Manaus em situação de vulnerabilidade pela cheia foi informada.

Mesmo após a Defensoria Pública do Amazonas recomendar a aceleração do processo de construção das pontes em locais afetados pela cheia, a prefeitura segue não dando resposta acerca do cronograma de obras das pontes. A Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) e a defesa civil foram questionadas sobre o a data de início das obras e sua duração (tendo em vista que a cheia segue aumentando sem parar), mas até a publicação desta matéria não obtivemos respostas.

Assista a live na íntegra: