Desempenho de Moro em pesquisas ameaça causar debandada no Podemos

Na última pesquisa divulgada, do PoderData, por exemplo, Moro aparece com apenas 8% das intenções de voto

sergio moro pesquisas

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agênncia Brasil

O baixo rendimento do pré-candidato à Presidência Sergio Moro nas pesquisas eleitorais tem preocupado seu partido, o Podemos, que tenta evitar uma debandada de seus filiados.

Na última pesquisa divulgada, do PoderData, por exemplo, Moro aparece com apenas 8% das intenções de voto.

Políticos que estudam deixar o Podemos e que conversaram com a reportagem sob a condição de anonimato atribuem o mau desempenho a uma estratégia de marketing “falha”.

Muito destaque na mídia

Segundo esses discordantes, a campanha do ex-ministro o colocou em destaque na mídia durante meses, o que acabou “enfraquecendo o discurso” do pré-candidato. Além disso, avaliam que os marqueteiros poderiam ter usado os políticos mais próximos de Moro, principalmente para mostrar uma maior “unidade partidária”.

Eles ressaltam que, durante as poucas viagens que Moro já fez na pré-campanha, o ex-juiz não aproveitou os bons oradores do partido, como o general Santos Cruz, em eventos, entrevistas e programas, em especial de rádio, que participou.

Segundo os políticos, que não quiseram ter os nomes publicados, esse isolamento de Moro fez com que ele fosse considerado o único culpado pelo mau desempenho nas pesquisa, o que consequentemente pode levar à debandada no partido.

Promessas descumpridas

A sigla também prevê que políticos de outras agremiações que haviam se comprometido a mudar para o Podemos na esteira de Moro descumpram a promessa.

Durante o ato de filiação do ex-ministro Santos Cruz, em novembro de 2021, a presidente nacional do partido, a deputada federal Renata Abreu (SP), afirmou ao UOL que o Podemos mantinha conversas com integrantes de outros partidos, em especial, insatisfeitos do PSDB, do PL e do União Brasil.

“São os parlamentares de outros partidos que têm procurado o Podemos”, disse Renata Abreu, presidente nacional da sigla, em novembro de 2021

O mau desempenho do pré-candidato nas pesquisas fez com que parte dos dissidentes de outros partidos não mais optasse pela sigla do ex-juiz. Dessa forma, esses políticos, principalmente em âmbito estadual, começaram a ser abordados por outras legendas tradicionais.

Lista tucana

De olho no atrito interno do Podemos, os tucanos produziram uma lista de políticos que pretende tirar da sigla adversária para concorrer nas próximas eleições pelo PSDB.

O UOL descobriu que o partido indicou 26 nomes de filiados ao Podemos para investir. No compilado, há, ao menos, um senador, três deputados federais e lideranças estaduais.

As negociações com políticos mais tradicionais em âmbito estadual, porém, vêm sendo conduzidas por representantes do governador de São Paulo, João Doria, pré-candidato à presidência.

Doria negociador

Na quinta-feira (20), o grupo ligado ao governador divulgou a filiação do ex-presidente do Podemos do Paraná César Silvestri Filho ao PSDB.

No Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo, Doria comemorou a adesão de Silvestri, que deverá sair como candidato ao governo do Paraná.

“O PSDB está muito orgulhoso de ter agora em suas fileiras este jovem político. Quero não só cumprimentar o César, mas dizer a ele que essa casa tucana o recebe de braços abertos”, afirmou Doria no dia.

A mudança do político paranaense causou um mal-estar entre as principais lideranças do Podemos. Nomes fortes da legenda, como o senador Álvaro Dias e o próprio pré-candidato Sergio Moro tentaram impedir a saída de Silvestri, segundo fontes ligadas à cúpula partidária. Mas ele já estava decidido a ir para o PSDB.

Articuladores tucanos entendem que a adesão fortalece o palanque de Doria no Paraná, já que o estado é “símbolo da operação Lava Jato”, ressaltou um dos aliados do governador de São Paulo.