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Desmentido pelo MPF, Diretor do Detran joga culpa da cobrança da nova taxa para os deputados

Vendo o caldo engrossar pro seu lado após ser desmentido pelo Ministério Público Federal (ver nota no final da matéria) que disse não ter nenhuma ingerência sobre a cobrança de mais uma taxa no Detran, o diretor do órgão, Leonel Feitosa, jogou a responsabilidade agora pra cima dos deputados estaduais. Ele enviou uma nota aos veículos de comunicação – menos pra nós, logicamente – dizendo estar apenas cumprindo uma lei aprovada pelos deputados da Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM).

De acordo com Leonel Feitosa, a taxa cobrada pelo serviço foi fixado na Lei Complementar 148, de 19 de dezembro de 2014, aprovada pela Assembleia Legislativa, e sancionada pelo Executivo Estadual, pelo então governador, hoje cassado José Melo (PROS.- Ah meu Deus, lá tá ele de novo! Na época da aprovação foram 16 votos a favor 4 contrários e uma abstenção.

O Radar publicou que a população, revoltada, está fazendo campanha por whatsapp para tentar barrar a nova cobrança que já está valendo desde o dia 20 deste mês. Na última segunda-feira (18), o diretor do Detran havia convocado uma coletiva de imprensa pra usar aquela velha tática de tranquilizar nós, o Zé Povinho, dizendo que ainda estavam sendo escolhidas as empresas, que três empresas se apresentaram para credenciamento, e que nem tinha data certa pra taxa ser cobrada. “Não temos previsão para começar a cobrar”, foi o que disse Leonel. Porém, dois dias depois a taxa cobrada pegou a todos de surpresa.

No primeiro momento Feitosa colocou a responsabilidade da cobrança no Ministério Público Federal (MPF), que, segundo ele, desde 2015 já solicitava que os serviços fossem realizados. “Eu respondi a vários inquéritos. O MPF tá me cobrando isso. O último processo foi arquivado porque eu mostrei que já estava cuidando dos trâmites legais para instalar a inspeção”, disse.

Desmentindo o que disse Leonel, o Ministério Público Federal (MPF), em nota, esclareceu que não expediu determinação no sentido de criar taxa anual de inspeção de licenciamento ambiental de veículos. “O órgão sequer recomendou qualquer providência dessa natureza”, diz a nota.

“Na realidade, o MPF requisitou informações ao Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM) no sentido de apurar se o órgão possuía planejamento, no Estado do Amazonas, para fiscalizar a utilização, por veículos pesados fabricados após 2012, dos devidos controles antipoluição necessários para redução de emissões de NOx, medida prevista no Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve)”, prossegue a nota.

O MPF concluiu dizendo que Feitosa, não respondeu ao pedido de informações solicitadas por eles. “Após serem frustradas as tentativas, o MPF requereu notificação judicial do diretor-presidente do Detran-AM, que, mesmo após notificado via Justiça para prestar as informações, não apresentou resposta”, completou a nota.

E agora, a mais nova justificativa é de que a taxa foi fixada pelo Legislativo estadual… (Asafe Augusto e Any Margareth)

NOTA À IMPRENSA

O Ministério Público Federal (MPF) no Amazonas esclarece que não expediu determinação no sentido de criar taxa anual de inspeção de licenciamento ambiental de veículos. O órgão sequer recomendou qualquer providência dessa natureza.

Na realidade, o MPF requisitou informações ao Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM) no sentido de apurar se o órgão possuía planejamento, no Estado do Amazonas, para fiscalizar a utilização, por veículos pesados fabricados após 2012, dos devidos controles antipoluição necessários para redução de emissões de NOx, medida prevista no Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve).

O objetivo da medida é garantir a correta utilização do ARLA 32. Utilizado em veículos de carga, o ARLA 32 é um reagente químico à base de ureia, necessário para atender à fase P7 do Proconve, regulamentado pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que tem como objetivo reduzir a emissão de poluentes na atmosfera.

O diretor-presidente do Detran-AM, João Leonel de Britto Feitoza, não respondeu ao pedido de informações. Depois disso, a mesma requisição foi reiterada por três ocasiões. Após serem frustradas as tentativas, o MPF requereu notificação judicial do diretor-presidente do Detran-AM, que, mesmo após notificado via Justiça para prestar as informações, não apresentou resposta.

O MPF instaurou procedimento de apuração de possível conduta ilegal de João Leonel de Britto Feitoza no sentido de não responder às requisições do MPF, sendo ordenada a notificação do denunciado para se manifestar acerca dos fatos apurados. Mais uma vez, o diretor-presidente não se pronunciou.

Diante do exposto, o MPF denunciou João Leonel de Britto Feitoza à Justiça pela prática do crime de recusa, retardamento ou omissão de dados técnicos indispensáveis à propositura da ação civil, quando requisitados pelo Ministério Público. O crime é tipificado no art. 10 da Lei nº 7.347/85, punido com pena de reclusão de um a três anos, mais multa de dez a mil Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional (ORTN). O processo está em tramitação na Justiça.

Na esfera cível, o MPF requereu o arquivamento do inquérito instaurado para apurar eventual prática de improbidade por parte do diretor-presidente e aguarda manifestação do órgão superior da instituição sobre a homologação do pedido.

Por fim, cabe ressaltar que o inquérito civil instaurado para apurar a não utilização, por veículos automotores, especificamente caminhões, dos devidos controles antipoluição, segue em tramitação. O procedimento do MPF não trata de veículos de passeio, não havendo, portanto, qualquer relação de eventual cobrança adicional de taxas instituída pelo Detran-AM para essa classe de veículos com a investigação em andamento nesta instituição.

 

Manaus, 22 de setembro de 2017