Dia Nacional de Combate ao Fumo faz alerta contra o uso do narguilé  

Foto: Reprodução/internet

Quinze minutos de ingestão da fumaça de tabaco com o uso do narguilé – cachimbo d’água – correspondem ao consumo de 80 cigarros. Foi o que alertou a coordenadora estadual de Atenção Oncológica, enfermeira Marília Muniz, durante a palestra de abertura do Dia Nacional de Combate ao Fumo, que ocorreu na última quinta-feira (29).

Organizado pela Coordenação Estadual das Ações Nacionais de Atenção Oncológica no Amazonas, ligada à Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), a programação do evento contou com palestras, orientações sobre o ambulatório do fumante e um curso de desenho e redação com os alunos da rede estadual de ensino.

Conforme Marília Muniz, a data serve para sensibilizar e mobilizar a população para os danos ocasionados pelo tabaco, que este ano focou nos malefícios do narguilé. Ela pontuou que esse tipo de cachimbo não está relacionado somente às doenças respiratórias, mas também as infectocontagiosas, como herpes, hepatite C e tuberculose, além do perigo de intoxicação por monóxido de carbono (CO2) devido à longa exposição.

“Um único cachimbo pode ser compartilhado com várias pessoas, simultaneamente, assim, transmitindo as doenças infectocontagiosas. Outro fator preocupante é que 63% das pessoas que fazem uso diário do narguilé têm entre 18 e 29 anos. A adição de sabores à base de frutas e mentolados são algumas estratégias utilizadas pela indústria do tabaco para captar esses jovens”, frisou Marília Muniz. 

Saúde pública

O diretor-presidente da FCecon, mastologista Gerson Mourão, lembrou que a cada US$ 1 dólar gasto pela indústria do tabaco são investidos US$ 3 dólares em prevenção. Por isso, segundo ele, investir em políticas e ações de atenção oncológica exige recursos elevados, além de ser um trabalho árduo. “Mas é essencial levar ações como essas às escolas. Precisamos diminuir os números de casos de câncer de pulmão e mortes no Amazonas e no mundo”, destacou.

Como profissional da área de saúde, Mourão disse que se viu obrigado, há alguns anos, a largar o tabagismo para dar exemplo às suas pacientes, outros médicos e filhos. “Como médico precisava incentivar as pacientes a também deixarem de fumar. Percebi que muitas delas também pararam. O tabagismo é um problema de saúde pública”, salientou. 

Papel do educador 

Para o secretário Adjunto Pedagógico da Seduc, Raimundo Barradas, as ações de controle do tabagismo passam pelo tripé informação, formação e sensibilização. “As pessoas podem ter informação, formação sobre determinado assunto, mas não se sensibilizam com a questão. É nesse ponto que o educador atua como agente capaz de promover campanhas e atividades de cunho pedagógico e educativo contra os malefícios do tabaco”, alertou.

As campanhas de prevenção promovidas com as instituições parceiras, de acordo com Barradas, têm ajudado no combate aos problemas sociais e ambientais nas escolas. Ele agradeceu as parcerias que tornaram o evento possível e colou-se à disposição para outras iniciativas.

Morte evitável

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o tabagismo é a principal causa de morte evitável em todo o mundo, sendo responsável por 63% dos óbitos relacionados às doenças crônicas não transmissíveis (DCNT).

A epidemia global do tabaco mata mais de 8 milhões de pessoas por ano, das quais, cerca de 900 mil são não fumantes que morrem por respirar o fumo passivo. Quase 80% dos mais de um bilhão de fumantes em todo o mundo vivem em países de baixa e média rendas, onde o peso das doenças e mortes relacionadas ao tabaco é maior.

O tabagismo é responsável por:

  • 85% das mortes por doença pulmonar crônica (bronquite e enfisema);
  • 30% por diversos tipos de câncer (pulmão, boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas, rim, bexiga, colo do útero, estômago e fígado);
  • 25% por doença coronariana (angina e infarto);
  • 25% por doenças cerebrovasculares (acidente vascular cerebral – AVC).

Com informações da assessoria da Fcecon.