Diante de mais uma estatística da SSP de “redução histórica” dos índices de criminalidade, nosso Lambançômetro explodiu e morreu!

Vital-lambançômetro

Foi divulgado ontem pela Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP/AM), com direito à mesa redonda, câmeras pra tudo que é lado, e repórter que não cabia em metro quadrado, ou seja, pavulagem pra mais de metro, algo que tem o nome de “Anuário Estatístico da Segurança Pública do Amazonas” que, segundo o secretário de Segurança do Estado, coronel Paulo Roberto Vital, é “o mais completo diagnóstico do mapa da criminalidade no Estado em 2013, feita por uma comissão (que ele esqueceu de dizer que é ligada ao seu gabinete), coordenada pelo doutor em Demografia e professor da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) – que ele também não disse o nome e nem está na matéria oficial. Se bem que o importante, nessa divulgação é saber que o tal anuário foi feito por um doutor, o nome é o de menos, não é mesmo?  Assim como também é importante mostrar que essa nossa sensação de insegurança, que tem transformado nossas vidas num inferno toda vez que o filho chega mais tarde da faculdade ou não atende o celular, já que ele já foi assaltado quatro vezes, em apenas dois meses, não passa de coisa de gente paranoica que não consegue enxergar que isso é menos importante diante da realidade dos números positivos da diminuição da criminalidade.

Já vou de antemão pedindo desculpas aos nossos leitores por usar de sarcasmo com assunto tão sério, mas só mesmo apelando para a ironia como válvula de escape pra não morrer de raiva. De janeiro a dezembro de 2013, a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) diz ter registrado a redução de 225 homicídios em Manaus em comparação com o ano de 2012.  Em 2012 teriam sido registrados 947 crimes de homicídio na capital, e no ano passado, em 2013, as ocorrências caíram para 722 casos. A queda representa 23,8%, o que também contribuiu para diminuir a taxa de mortes por 100 mil habitantes, de 50,9 para 36,4, segundo o secretário.

E nem vou continuar reproduzindo os dados estatísticos porque, do começo ao fim, só fala de números de mortes e esse discurso é de matar – vixi, lá fiz mais um daqueles meus trocadilhos.  Aí, qualquer cabeça pensante perguntaria: Será que tem que morrer pra fazer parte dessa estatística? E a gente chega a dar até graças a Deus por estar vivo, não é mesmo? Mas, deixando um pouco essa coisa mórbida de morte de lado, decidimos procurar os índices registrados para outros tipos de crime, afinal não é só crime contra a vida que faz parte do Código Penal, não é mesmo? E lá no finalzinho dos dados oficiais, em três ou quatro linhas, você encontra, e aprende que tem crime que diminuiu tanto que já é contado em ordem decrescente, ganhou até um sinal de – (menos): “furto (-2,7%), roubo (-1,7%) e tentativa de homicídio (-11,5%)”. Dá pra entender, né, afinal esse menos deve ser o mesmo que menos celulares nas mãos donos, menos carteiras, menos tablets, menos tudo que é roubado e o ladrão nunca é encontrado, mesmo que o bairro inteiro saiba quem ele é.

E a cada índice de redução da criminalidade, a turma aqui do Radar não consegue entender porque o marcador do Lambançômetro subia tanto. E quando os percentuais da criminalidade atingiram números negativos, infelizmente ele explodiu e vamos ter que fazer outro novinho em folha, porque esse tá mortinho meeeesmo! (Any Margareth)