Diazepam aumenta variação da pressão em jovens, diz pesquisa da UnB

Foto: ilustrativa

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) descobriu que o Diazepam, medicamento utilizado para controlar ansiedade, aumenta a variabilidade da pressão arterial em adultos jovens, o que pode prejudicar a saúde cardiovascular a longo prazo.

O Diazepam é um ansiolítico aprovado para tratar ansiedade e transtornos neurológicos. Segundo Lauro Vianna, que coordena o grupo de NeuroV̇ASQ̇ e é um dos autores do trabalho, o uso do remédio é disseminado e aumentou durante a pandemia de Covid-19.

Para analisar os efeitos da medicação, 40 voluntários foram avaliados em duas ocasiões. Em uma delas, os participantes receberam a medicação. Na outra, tomaram um placebo.

A pressão sanguínea dos voluntários foi aferida batimento-a-batimento, com uma técnica chamada fotopletismografia de infravermelho próximo, que permite a visualização dos efeitos do fármaco a cada batimento cardíaco do paciente.

Nos resultados, foi possível perceber que o remédio induz um aumento da variabilidade da pressão arterial dos pacientes, o que significa que a chegado de oxigênio e nutrientes pela corrente sanguínea para os tecidos e órgãos fica prejudicada.

Vianna explica que, apesar de as pessoas se sentirem mais calmas com o remédio, o controle cardiovascular fica prejudicado. “Quando o medicamento é administrado, a pessoa fica mais calma, mais serena, mas o sistema vascular está pior regulado”, afirma o professor.

A variabilidade da pressão arterial já foi associada por outros estudos a diferentes doenças cardiovasculares e a lesão de outros órgãos como cérebro e rins a longo prazo.

A pesquisa da UnB foi realizada com participantes jovens e saudáveis, que não possuem prescrição para o uso do Diazepam. O grupo responsável pretende analisar os efeitos da utilização do medicamento a longo prazo em pacientes mais velhos ou que tenham problemas cardiovasculares.

“Muitas pessoas tomam o Diazepam há mais de 20 anos, então queremos estudar também as implicações da medicação a longo prazo”, comenta o professor.

O estudo foi publicado no periódico American Journal of Physiology-Regulatory, Integrative and Comparative Physiology, e selecionado como publicação destaque do mês de junho pela American Physiological Society.

Vianna espera que o conhecimento obtido ajude na melhoria dos critérios de prescrição do antidepressivo.