Diretor da CIA disse ao governo Bolsonaro para não levantar dúvidas sobre sistema eleitoral, segundo agência

De acordo com fontes não identificadas que foram ouvidas pela agência de notícias Reuters, diretor do serviço de inteligência dos Estados Unidos fez alerta em reunião a portas fechadas em julho de 2021.

William Burns, diretor da CIA (agência de inteligência dos EUA), durante audiência do Comitê de Inteligência do Senado, em Washington, em 24 de fevereiro de 2021 — Foto: Tom Williams/Pool via Reuters

O diretor da CIA, o serviço de inteligência dos Estados Unidos, disse a integrantes do governo Bolsonaro que o presidente deveria deixar de questionar a integridade das eleições no país, informou a agência de notícias Reuters nesta quinta-feira (5).

A agência disse ter conseguido a informação com fontes que falaram com a condição de que não fossem identificadas.

O alerta, segundo a Reuters, foi feito por William Burns, diretor da CIA, em uma reunião em julho de 2021, de acordo com duas fontes ouvidas pela agência de notícias.

Ainda não está claro onde a reunião ocorreu. Porém, a Reuters afirma que Burns esteve no Brasil em julho, em viagem que não estava prevista em sua agenda oficial. Na ocasião, o diretor da CIA encontrou Bolsonaro, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, e o então diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem.

De acordo com a agência, Burns jantou com o generais Augusto Heleno e o Luiz Eduardo Ramos, ministro de Estado Chefe da Secretaria-Geral da Presidência durante a mesma visita à Brasília, a quem o norte-americano disse que o processo democrático é sagrado, e que Bolsonaro não deveria se referir a ele publicamente como vinha fazendo.

Uma fonte da Reuters em Washington, que também não quis se identificar, confirmou que uma delegação liderada pelo diretor da CIA aconselhou a assistentes de Bolsonaro que o presidente brasileiro deixasse de “subestimar o sistema de votação no Brasil”.

Bolsonaro tem feito constantes ataques ao sistema eleitoral do Brasil e ao voto eletrônico, sem apresentar provas.

Segundo a Reuters, a CIA não comentou sobre o alerta.

Em nota o GSI disse que “a agenda com o Diretor da CIA foi devidamente divulgada”. “Os assuntos tratados em reuniões na área de inteligência são sigilosos. O GSI não recebe recados de nenhum país do mundo, nem os transmite. Temos um excelente corpo de diplomatas e adidos para tratar dos interesses nacionais”, acrescentou o órgão ligado à Presidência.