Disparos de armas de caças mataram Bruno e Dom, aponta perícia da PF

Perícia cruzou remanescentes humanos com material genético de indigenista

O indigenista Bruno Pereira, 41, que foi assassinado na terra indígena Vale do Javari, na Amazônia – Daniel Marenco-9.out.2019/Agência O Globo

A Polícia Federal informou neste sábado (18) que o outro corpo encontrado na quarta (15), na região do Vale do Javari, é do indigenista Bruno Pereira, 41.

Nesta sexta, a PF já tinha confirmado que o outro corpo era do jornalista britânico Dom Phillips, 57.

O exame, realizado pelos peritos da PF, indica que a morte de Dom foi causada por “traumatismo toracoabdominal por disparo de arma de fogo com munição típica de caça, com múltiplos balins, ocasionando lesões principalmente sediadas na região abdominal e torácica”.

Segundo a perícia, ele foi atingido por um tiro.

Já a morte de Bruno Pereira, segundo a PF, foi “causada por traumatismo toracoabdominal e craniano por disparos de arma de fogo com munição típica de caça, com múltiplos balins”.

A PF diz ainda que, segundo a perícia, o indigenista foi atingido por dois tiros no tórax/abdômen e um outro tiro na face/crânio.

Neste sábado, a Polícia Federal prendeu mais um suspeito de ter participado do assassinato dos dois. Jefferson da Silva Lima, que tem o apelido de Pelado da Dinha, é o terceiro investigado preso no caso.

Segundo a PF, Jefferson se encontrava foragido e se entregou na Delegacia de Polícia de Atalaia do Norte. Ele será interrogado e encaminhado para audiência de custódia.​

Dois homens já estavam detidos pela morte de Bruno e Dom: Amarildo Oliveira, conhecido como Pelado, e o irmão dele, Oseney Oliveira, o Dos Santos.

Pelado prestou depoimento na terça (14) e confessou ter participado da morte do indigenista e do jornalista, de acordo com a polícia. No diante seguinte, ele levou os investigadores ao local do crime. Dois corpos foram localizados na região.

Sobre os depoimentos até aqui, a Folha apurou que Pelado mudou sua versão dos fatos. Em um primeiro momento, ele apontou duas pessoas como autoras do assassinato e disse ter participado da ocultação dos cadáveres. Agora, afirma que ele também realizou os disparos contra Bruno e Dom.

Nesse segundo depoimento, Pelado afirmou ter se juntado a Jefferson, com quem seguiu o barco da dupla e deu tiros de espingarda.

Fontes ouvidas pela reportagem dizem que a confissão só foi feita por Pelado. Dos Santos disse não ter participação no assassinato. Pelado também nega que seu irmão tenha agido no caso.