Dissica depõe na CPI da Pedofilia sobre denúncias de abuso nas categorias de base do futebol do Amazonas

dissica-valérioA CPI da Exploração Sexual promoveu audiência pública nesta terça-feira (08/04) para discutir denúncias de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes nas categorias de base do futebol do Amazonas.

O Presidente da Federação Amazonense de Futebol, Dissica Valério Tomaz, foi convidado para a audiência com o objetivo de colaborar com os trabalhos de investigação da CPI. Ele afirmou que nunca recebeu denúncia de abuso ou exploração sexual nas escolinhas de futebol e disse que a ingerência da Federação em relação às escolas é mínima, já que elas são de cunho privado. Dissica afirmou que irá aguardar as investigações do Ministério Público e encaminhar o resultado aos tribunais de justiça desportiva.

A presidente da CPI, deputada Erika Kokay (PT-DF) afirmou que “é preciso reconhecer o problema para enfrentá-lo. Não é ignorando as denúncias que vamos contribuir para o combate à violência sexual”, afirmou. A deputada sugeriu ao presidente incorporar à Ouvidoria da Federação um canal para receber denúncias de abuso e exploração sexual e divulgá-lo amplamente.

A relatora da CPI, deputada Liliam Sá, sugeriu que a Federação faça uma campanha para alertar os pais sobre essa questão. “Muitas vezes os treinadores falam para os pais que o filho tem muito talento e levam esses meninos para outros estados, onde eles vivem em condições insalubres, sofrem abuso e os pais não tem noção de que isso está acontecendo”, disse.

Os deputados propuseram organizar um pacto no estado, com a participação do Ministério Público, poder executivo e todos os clubes de futebol do Amazonas para assinarem uma carta-compromisso e, de forma pioneira, se comprometerem com o fim da violência sexual nas escolas de futebol do Amazonas.

Dissica se comprometeu com o pacto e na elaboração de campanhas e afirmou estar inteiramente disposto a colaborar com os trabalhos da CPI.

Erika destacou que é preciso legislar para que os clubes possam ser responsabilizados. “Estaremos trabalhando na perspectiva de desenvolver novos marcos legais para estabelecer responsabilidades penais e de fiscalização para os clubes, além do atendimento a essas vítimas, para que possam ressignificar suas vidas”, afirmou.

A CPI voltará a Manaus no início de junho para assinar o referido pacto. A próxima reunião da comissão acontecerá na terça-feira, dia 15.