Dívida da Prefeitura faz familiares de pacientes terem que limpar hospital

limpeza-hospital300A Secretaria de Saúde de São Vicente, no litoral de São Paulo, organizou um mutirão para limpar o Hospital Municipal, o antigo Crei. A sujeira havia tomado conta da unidade depois que a empresa responsável pela limpeza hospitalar decidiu suspeder o serviço, no último sábado (18). O secretário de saúde de São Vicente admitiu que a prefeitura está devendo para os responsáveis.

Desde o fim de semana, os parentes das pessoas internadas são responsáveis por limpar os banheiros e trocar os lençóis dos pacientes. Na emergência, por exemplo, montes de sujeira estavam acumulados e os cestos estavam transbordando de lixo, inclusive com sangue no chão. Os banheiros também não haviam sido limpos há vários dias.

O sogro de Iolanda Faustino está internado há 3 dias no Hospital Municipal. Ela conta que está fazendo a limpeza do quarto com as próprias mãos. “Como eu sou auxiliar, eu sei como arrumar uma cama. Eu troquei todos os pacientes, troquei as camas. Cheguei ao ponto de limpar o chão do hospital”, reclama.

A situação só melhorou no fim da manhã desta quarta-feira (22), quando funcionários de outros setores da Prefeitura de São Vicente foram chamados para fazer um mutirão. Apesar disso, a limpeza improvisada não tranquilizou os familiares dos pacientes. A irmã de Fabiana Miranda sofreu um acidente recentemente. Ela tenta transferir a irmã de hospital com a maior rapidez possível. “Eu estou querendo tirar ela imediatamente. Ela pode pegar umar infecção hospital, uma infecção urinária, e quem vai responder por isso?”, questiona Fabiana.

sec-sv-editSegundo o Secretário de Saúde de São Vicente, Antonio Ruas Vieira, a empresa terceirizada responsável pelo serviço de limpeza, no hospital e na maternidade, abandonou o trabalho no sábado sem comunicar a Secretaria de Saúde. “O procedimento da empresa colocou em risco a saúde da população. No sábado, eu abri um boletim de ocorrência contra o que a empresa realizou, e agora estamos tomando as medidas de rescisão contratual”, explica o secretário de saúde de São Vicente.

A Prefeitura de São Vicente está devendo dois meses de pagamento para a empresa. “No momento em que ela suspendeu as atividades, nós estávamos com 68 dias de atraso contratual. Isso não autoriza a empresa a suspender a prestação de um serviço contínuo tão sensível para a população como a limpeza hospitalar. Se ela quisesse deixar de prestar os serviços, ela deveria fazer dentro da legalidade. Notificar a administração pública com antecedência prévia dentro de 30 dias para dar tempo de que a administração possa contratar uma outra empresa. Não do modo como agiu em um sábado”, lamentou o secretário. Já a empresa Qualitécnica, que é responsável pela limpeza do hospital, disse que ninguém vai se pronunciar sobre o assunto.