Dólar cai a R$ 5.455, após 5 altas semanais; Bolsa tem maior nível em 1 mês

Dólar cai a R$ 5.455, após 5 altas semanais; Bolsa tem maior nível em 1 mês

 

O dólar comercial fechou em queda de 1,11% nesta sexta-feira, a R $ 5.455, após uma nova intervenção do Banco Central. É o menor valor em quase duas semanas, desde 4 de outubro (R $ 5.447). Com o resultado, uma moeda acumulou também perdas de 1,11% na semana, após cinco altas semanais.

O Ibovespa , principal índice da Bolsa brasileira, teve o melhor resultado do mês até o momento e fechou em alta de 1,29%, aos 114.647,99 pontos. É o maior patamar em um mês, desde 15 de setembro (115.062.54 pontos). Na semana, uma Bolsa ganhou 1,61%, interrompendo duas semanas de queda.

O índice foi puxado principalmente pela alta de 12,4% em ações do Pão de Açúcar . O grupo anunciou hoje a venda de lojas da rede Extra para o Assaí.

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive do Uol, refere-se ao dólar comercial . Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, o valor é bem mais alto.

‘Alívio de curto prazo’

O Banco Central fez uma nova intervenção hoje no mercado de câmbio, e vendeu 20 mil contratos de swap cambial tradicional, irrigando o mercado com liquidez extraordinária pelo terceiro dia consecutivo. O diretor de política monetária do Banco Central, Bruno Serra, de que o BC intervirá no mercado de câmbio quando necessário.

Ricardo Gomes da Silva, superintendente da Correparti Corretora, explicou em nota que o leilão foi uma tentativa de suprir a demanda da moeda estrangeira no mercado, e deve fornecer fornecimento de curto prazo para o real.

Mas “o dólar, pressionado pelo exterior e pelos riscos domésticos, não se afasta do viés de valorização”, alertou o especialista.

Vários analistas têm alertado para uma tendência global cada vez menos favorável para moedas de países emergentes, à medida que o banco central dos Estados Unidos se aproxima de reverter os estímulos que sustentaram o apetite por risco dos investidores durante a crise da pandemia. A essa perspectiva somam-se temores generalizados de alta da informação e desaceleração do crescimento global.

Nesse contexto, o do dólar contra uma cesta de pares fortes tocou uma máxima em cerca de um ano na última terça-feira.

No Brasil, dúvidas sobre a capacidade do governo de respeitar seu teto fiscal rondam os mercados há meses, intensificadas por ruídos sobre possível extensão do auxílio emergencial para a população e pela conta bilionária de precatórios para 2022.

Sidnei Nehme, economista e diretor-executivo da ONG Corretora, também tem “percepção de pouco governo e planos e muita politicagem”, citando insatisfação com o andamento da agenda de reformas domésticas, cultivo de ambiente irritadiço entre os Poderes e percepção de que o Banco Central não está aumentando os juros no ritmo necessário para incluir os dados.

Nesse contexto de “desestruturação”, o “dólar pode ficar sendo ‘mascarado’ com leilões de permutas pontuais ou impontuais”.