E a secretária de Saúde de Tapauá ainda acha que estão fazendo confusão por causa de Dipirona?

Ferido Tapauá

Assim como aconteceu com as avaliações feitas por determinados pseudo intelectuais – aqueles caras que adoram posar de donos da verdade – assim que iniciaram as manifestações populares em todo o País apontando, de dedo em riste, os manifestantes como “filinhos da classe média, sem causa, que estavam fazendo baderna por vinte centavos” (opinião de Arnaldo Jabor antes de se desculpar), o pessoal aqui do Radar deseja que não surja gente seguindo raciocínio da secretária de Saúde (enfermeira e diretora do hospital) de Tapuá, Hilma Lins que, ficou encolerizada,  achando um absurdo reclamarem da falta de Dipirona na cidade. Assim como o reajuste de R$ 0,20 para um transporte coletivo péssimo e humilhante não era mero detalhe, a falta de Dipirona em um hospital de uma cidade do interior do Estado não pode ser classificada como algo insignificante. Primeiro, porque não estava faltando só Dipirona, como vários outros medicamentos. Segundo, não há porque um paciente sentir dor pela falta de um simples analgésico – a não ser para a secretária que provou não dar a menor importância para a dor do paciente ao perguntar se ele estava morto ou vivo. Terceiro, chega a ser humilhante somente ter acesso a um medicamento quando a enfermeira/diretora/secretária de saúde decide abrir um almoxarifado quando quer, e para quem quer.  Isso é um desrespeito inclusive com o médico, porque fica parecendo que o profissional não é de confiança para ter acesso ao medicamento – e ainda tem gente que não sabe por que médicos não querem ir para o interior do Estado.  E, o Radar avisa que essa só é a primeira parte de três vídeos que iremos postar onde ficará claro que a situação da saúde em Tapauá vai muito além da falta de Dipirona, é falta de respeito e compromisso com a saúde daquele povo, meeeesmo!

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Remédio para oncologia

E, nos outros três vídeos que serão postados no Radar, a ida da secretária de Saúde a rádio para confrontar o estudante de Medicina Maron Abílio, provoca outras constatações nada agradáveis. Maron, com a autoridade de quem já faz residência médica em Manaus, diz cara a cara com a secretária e com o médico que tratou Semeão Costa, o estudante que sofreu o acidente de moto, que utilizaram um remédio “cavalar” para diminuir a dor e a inflamação nos ferimentos do paciente, um medicamento utilizado para tratamento de casos de oncologia (câncer) – vocês vão ver a cara de quem não entendeu nada que faz a secretária na hora que o estudante de Medicina fala sobre a medicação.  E o próprio médico ainda confirma que o medicamento não é o adequado porque provoca efeitos colaterais – agora entendemos porque a secretária perguntou se o paciente estava morto.

Sem ambulância

Nos outros vídeos que serão postados, você vai ver a própria secretária confirmar que não há ambulância na cidade. Em depoimento dado ao Radar, um conselheiro tutelar confirma que o transporte de pacientes é feito com a Kombi do conselho, sem a menor estrutura para carregar doentes.

E nem ambulancha

Se não tem sequer uma ambulância, piorou a situação quando se trata do deslocamento de pacientes de comunidades mais distantes, em áreas ribeirinhas. Sem as chamadas “ambulanchas” que transportariam rapidamente esses doentes pelo rio até o hospital, os moradores de Tapuá dizem que até conseguirem um motor rabeta, ou levarem o paciente de canoa mesmo, na base do remo, ele já chega sem vida na sede do município. Você imagina o desespero que qualquer um de nós ficaria ao ver um parente tendo um problema cardíaco, por exemplo, sem poder fazer nada para socorrê-lo?

 Desabafo

Você vai ver e ouvir no Radar o desabafo de conselheiros tutelares, cidadãos que deveriam ter todo o apoio para defenderem crianças muitas vezes abusadas sexualmente e espancadas dentro de suas próprias casas, mas estão pedindo apenas para terem condições de fazer esse trabalho. Como dissemos antes, a kombi do conselho tutelar é utilizada para transportar pacientes para o hospital, e você vai ver cenas do prédio do conselho tutelar que corre o risco de desabar por causa de um monte de rachaduras E  ainda tem um monte de gente aqui na capital fazendo discursos e passeatas contra o abuso de menores e falando da importância de ter quem os defenda, não é mesmo?

O povo na rua

São comoventes as cenas do povo nas ruas de Tapauá pedindo mudanças. Ao contrário do que previu a secretária Hilma Lins, eles não atentaram em nenhum momento contra o patrimônio público, não promoveram quebra-quebra, ou qualquer outro ato de vandalismo.  O único incidente ocorrido foi de um cidadão que tentou tumultuar o ato público soltando fogos de artifício em meio à manifestação, mais os próprios líderes do movimento chamaram a polícia, e ele foi preso. Aos ouvidos de quem sabe respeitar o povo vai ficar o som do Hino Nacional sendo entoado pela população de Tapauá.