E agora, quem poderá nos defender?

A imagem do presidente Messias Bolsonaro fazendo de conta que está metralhando alguém nunca foi tão atual. A cada dia, o Amazonas e sua Zona Franca de Manaus (ZFM), único modelo de desenvolvimento que essa terra já conheceu e que mantém o sustento de milhares de trabalhadores, é “metralhado” pelo presidente e sua equipe econômica. E, a cada ataque da presidência da República contra a ZFM, nosso parque industrial fica ainda mais fragilizado, já que se torna alvo das desconfianças de empresários que não se sentem seguro em investir num modelo que estaria prestes a perder suas vantagens comparativas com outros polos industriais do País.

Essas causas e efeitos ficam visíveis com a queda na produção industrial do Amazonas (10,8%), a maior do País em março deste ano, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados em maio. E a cada “bombardeio” contra a ZFM, euzinha fico me perguntando: E cadê os paladinos da Justiça de plantão, os mesmos que se elegeram endeusando Bolsonaro e demonizando seus adversários?

Um desses que fez fama como paladino da justiça nas periferias da cidade é o capitão PM, Alberto Neto, eleito deputado federal, policial midiático com mais de meio milhão de seguidores nas redes sociais que tinha o costume de mostrar como “combatia a bandidagem” fazendo transmissões ao Vivo pelo facebook.

O capitão fez campanha para outro irmão de farda, Jair Bolsonaro, a quem classificava de “homem de coragem”, “ficha limpa” e ao qual intitulava de “xerife” que ia “colocar ordem na casa”. As primeiras notícias sobre ataques a ZFM foram classificadas pelo capitão PM de “fake News” e, mesmo agora, diante das declarações do próprio presidente da República sobre a intenção de reduzir de 16% para 4% o imposto sobre produtos importados das áreas de tecnologia da informação, como computadores e celulares, prejudicando esse seguimento industrial na ZFM, o capitão parece não dar a menor importância, comeu abiu e sumiu das Lives nas redes sociais.

Outro paladino da moral e dos bons costumes – aquele do CPF limpo – o vereador eleito senador, Plínio Valério, campeão de votos nas eleições passadas, foi as redes sociais dizer que iria votar em Bolsonaro no segundo turno da eleição porque o conhecia bem, já que ambos tinham convivido na Câmara Federal. “Eu conheço Bolsonaro. Eu convivi com ele quando estive como deputado federal. Cheguei ao ponto de convidá-lo pra vir pescar tucunaré com a gente. Mas o que me fez determinar ser Bolsonaro no segundo turno é que ele é o único candidato a presidente que eu conheço e sei que defende a Zona Franca e sei que é um defensor da Amazônia”.

Pelo jeito, Plínio Valério não conhecia bem Bolsonaro não! Mas, mesmo com a fama de soltar o verbo, quando alguma coisa lhe desagrada, Plínio Valério ainda não disse publicamente o que acha do seu candidato a presidente vira e mexe atacar a Zona Franca.

Mas e agora, quem poderá nos defender? Pelo jeito, só se for Chapolim Colorado porque os paladinos da lei e da ordem resolveram sair de cena.