E cadê o quadrilhão do PT?

A cada dia que passa e cada nova notícia que surge sobre o desmonte das denúncias provenientes da Operação Lava Jato, por algum motivo fácil de entender, me vem à cabeça mais um daquelas máximas da minha saudosa e sábia mãe: “É mais fácil pegar um mentiroso do que um coxo”, dizia ela. Foi desta forma que vi a notícia da decisão da procuradora do Ministério Público Federal (MPF), Márcia Brandão Zollinger, de rechaçar a tese defendida pelo ex-procurador Geral da República, Rodrigo Janot, de que existiria um “quadrilhão no PT” composto pelos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, além dos ex-ministros Guido Mantega e do ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.

Em sua denúncia, feita em 2017, Rodrigo Janot, acusava os ex-presidentes de chefiar um esquema de propina que arrecadou R$ 1,48 bilhão entre 2002 e 2016, em contratos da Petrobrás, do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) e do Ministério do Planejamento.

Anos depois e após muita execração pública, vem uma procuradora da República dizer que os desvios de conduta e de dinheiro foram cometidos pelas diretorias da Petrobrás e de outras empresas públicas e não há provas de que os denunciados por Janot faziam parte desse esquema.

“Não há o pretendido domínio por parte dos denunciados, especialmente os ex-presidentes da República, a respeito dos atos criminosos, que obviamente merecem apuração e responsabilização e são objeto de ações penais autônomas, cometidos no interior das Diretorias da Petrobras e de outras empresas públicas”, diz a procuradora.

Mas agora essas pessoas, inclusive os ex-presidentes já estão marcados, como se fosse a ferro em brasa, como membros de uma quadrilha. E o que vi foi a grande imprensa, principalmente os apresentadores da Rede Globo que dedicavam um telejornal inteiro para falar sobre o “quadrilhão do PT”, fazer aquelas suas caras de paisagem, sem nenhuma emoção, para tratar em cinco linhas sobre o parecer da procuradora de que nunca existiu o quadrilhão do PT.

Igualzinho quando aconteceu a decisão da Justiça de absolver o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, da condenação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Imposta pelo Juiz Sérgio Moro no âmbito da Operação Lava Jato. Os desembargadores que decidiram pela absolvição consideraram que não havia provas, a não ser as tais delações premiadas, onde um dedo duro recebia prêmio pra falar o que a acusação bem entendia.

Não se acha mais que poucas linhas e em um ou outro veículo de comunicação sobre a absolvição de Vaccari, bem diferente do massacre jornalístico que acontecia diariamente.

Mas, o tempo que é o senhor de todas as verdades tem sido hábil em perseguir e pegar os mentirosos. Simples assim!