Edital do consulado brasileiro em Lisboa é cancelado após denúncias

O consulado brasileiro em Lisboa cancelou por tempo indeterminado um edital para a contratação de três auxiliares administrativos, que trabalharão no atendimento ao público e na emissão de documentos.

O edital exige dos candidatos ensino médio completo e conhecimentos básicos de informática. A carga horária é de 40 horas semanais e o salário é de R$ 1.633,77 euros, algo em torno de R$ 7,3 mil – o salário mínimo português é de 600 euros, cerca de R$ 2.581.

No total, 829 pessoas se inscreveram e 48 foram aprovadas na primeira etapa, a de triagem de candidaturas e verificação de documentos. Elas seguiriam para a penúltima fase, uma prova escrita que deveria ter ocorrido no último da 9, mas que acabou não acontecendo devido ao adiamento do certame.

Ao jornal Folha de S. Paulo, o consulado alegou que a suspensão se deu por razões administrativas. Há, porém, uma série de reclamações de candidatos que alegam favorecimento a parte dos aprovados – entre eles estão dois vigilantes terceirizados do consulado. “Fico ofendido [com a tese de favorecimento]. Se pessoas com curso superior não foram chamadas, talvez seja porque sejam qualificadas de mais para a vaga”, disse um dos vigilantes aprovados, o português Jorge Manuel Coxinho Bargado.

Também à Folha, uma funcionária antiga do consulado, que pediu para não ser identificada, disse que há uma tentativa de favorecimento a pessoas que já trabalham na repartição.

“A afirmação desses candidatos [que questionam o concurso] é ofensiva e carece de fundamento. O processo seletivo tem seguido todas as regras aplicáveis – Lei 11.440/2006, Decreto 1570/1995, Portaria MRE de 12/09/95, Guia de Administração dos Postos e Edital nº 1/2019 do Consulado-Geral em Lisboa”, defende-se o consulado.