Educação será teu castigo

Foto: Patrick Marques/G1

Sabe gente, fiquei em dúvida sobre o título desse texto. Quando me vinha à mente as manifestações de ontem feitas por professores e estudantes universitários, o título era esse que acabei colocando. Mas, essa matéria poderia ter outro título que até agora ainda está batucando na minha cabeça: “homens-peixes: aqueles que morrem pela boca”.

Esse segundo título veio de um dito popular que foi repetido nem sei quantas vezes por uma mulher que, infelizmente, esteve na minha vida até eu ter apenas dezesseis anos, minha mãe, uma cabocla dessa terra, que só tinha o segundo ano primário – ensino fundamental nos dias atuais – e acho que, por isso, sabia o valor que tinha à educação. Ela lutou muito pra que seus filhos – doze biológicos com meu pai e um de criação – pudessem ficar mais tempo na escola do que ela. “Quando eu me for, só posso deixar isso pra vocês”, dizia ela, mal sabendo que deixaria muito mais. Uma das coisas que deixou de herança foi sua sabedoria.

E sobre certos homens, dizia minha velha e sábia mãe: “Como diz o ditado, tem gente que é que nem peixe, morre pela boca”. Um ditado antigo que cabe como uma luva nos dias atuais. Um desses homens, o governador do Amazonas, o jornalista – ainda tenho que escrever isso! – Wilson Lima, durante os tempos de campanha política dava à educação o valor que ela merecia e fazia juras de amor aos professores, do tipo: “o professor vai ser valorizado durante todo o meu mandato e não só no período eleitoral” ou “professores não terão que fazer greve pra lutar pelos seus direitos”. Morreu ou não morreu pela boca, meu povo! E lá vem aos meus ouvidos mais um dito popular repetido pela minha mãe: “Não prometa o que não pode cumprir!”

O outro homem-peixe, o presidente Jair Messias Bolsonaro, “morria” pela boca desde o período eleitoral. Pena que tem gente que só está vendo isso agora – minha mãe, mesmo semianalfabeta, veria isso no momento em que ele abrisse a boca e xingasse uma mulher de vagabunda, ou os quilombolas de “boi gordo”, ou dissesse que curava “gayzisse” com porrada, ou que universitários são maconheiros e baderneiros. “Quem quer respeito, tem que respeitar os outros”, diria minha mãe ou, no caso do presidente, tenho quase certeza que minha mãe diria coisa muito pior: “remédio pra doido é doido e meio”, referindo-se ao fato de que o nobre presidente deveria ser tão esculachado quanto esculacha os outros.

E tem outras expressões que minha saudosa mãe diria quando ouvisse as coisas desconexas e absurdamente burras ditas pelo homem-peixe presidente em entrevistas, mas são xingamentos que, infelizmente, não posso escrever.

E, mais uma certeza eu tenho sobre o que ela diria! “O mal que tu fazes, volta pra ti mesmo”. A educação, que está sendo “castigada” por esses homens-peixes, vai ser o castigo com manifestações públicas gigantescas que demonstram o quanto a educação avançou – ao contrário do que Bolsonaro diz – gerando conhecimento e cidadania. E o conhecimento é o que faz cidadãos não serem massa de manobra, nem idiotas úteis nas mãos de idiotas inúteis. Minha mãe se viva fosse estaria muito orgulhosa desse seu povo!