Eleição na Aleam: mesmo com nota de protesto e candidato de oposição, Josué Neto é reeleito presidente com 19 votos

Josué Neto 2Na entrevista coletiva à imprensa, concedida logo na chegada a Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), realizada no hall de entrada do prédio do Legislativo estadual que fica entre a garagem privativa dos parlamentares da Casa e a entrada do plenário, o presidente da Aleam, Josué Neto (PSD) contabilizou um total de 17 votos “certos” dos seus colegas de Parlamento a favor de sua reeleição. Porém, subdimensionou seu poder de voto porque 19 dos 24 deputados da Casa votaram nele para presidente, assim como em seus companheiros de chapa: Belarmino Lins (PMDB)/ 1º vice-presidente; Davi Almeida (PSD)/ 2º vice-presidente; Bi Garcia (PSDB)/ 3º vice-presidente; Abdala Fraxe (PTN)/ Secretário-Geral; Sabá Reis (PR)/ 1º secretário; Adjuto Afonso (PP)/ 2º secretário e Ricardo Nicolau (PSD)/Ouvidor-Corregedor.

Dos cinco votos restantes, apenas dois foram para o candidato de oposição a Josué Neto, o petista José Ricardo Wendling, o dele mesmo e o do deputado Luiz Castro (PPS), também membro da bancada historicamente de oposição. Três votos foram computados como abstenções: dois votos dos deputados peemedebistas Wanderley Dallas e Vicente Lopes e um do deputado Francisco Souza (PSC). Eles entregaram uma denominada nota de protesto e se retiraram do plenário reclamando da “falta de proporcionalidade partidária na escolha dos membros da Mesa Diretora da Casa”.

Ao ser questionado, ainda na coletiva de imprensa, sobre uma possível previsão de eleição tranquila à reeleição, Neto disse que esperava que fosse assim mas que “nenhuma eleição é tranquila”. Ele comentou: “Toda eleição tem seus momentos de altos e baixos, momentos em que a gente fica ansioso, do lado negativo mesmo, mas também tem seu lado positivo, porque surge o apoio dos colegas. É até salutar, como em qualquer outra instituição, em todo Governo, que haja oposição”. Josué Neto, em tom de desabafo, disse ficar “um pouco decepcionado” com a atitudes de determinados colegas de Parlamento. “Recebi críticas de colegas que, de alguma forma me elogiam pessoalmente, de forma individual, mas que vão pra imprensa e me criticam”. Ele classificou tal atitude como “falta de coerência”. Porém, prometeu: “Mas, independente de quem vote em mim ou não vamos continuar fazendo uma administração para todos”.

Neto considerou sua provável vitória como fruto de diálogo com todos os outros parlamentares. “Só não conversamos com quem não quis conversar conosco”. E disse que considera que sua administração abriu a Casa Legislativa para os movimentos populares. “Tenho certeza que esses dois anos a casa foi aberta para os movimentos populares. Os jornalistas que estão aqui são testemunha que tivemos a participação das diversas classes sociais, segmentos sociais e principalmente do funcionalismo público. Foram dois anos de aprendizado, mas tenho certeza que farei uma administração ainda melhor nos próximos dois anos”, afirmou

José Ricardo 2Quebra na tranquilidade

E parece que o deputado-presidente Josué Neto estava prevendo o que iria acontecer. O deputado petista José Ricardo Wendling lançou candidatura a presidente e, mesmo concordando com que as chances de vitória eram remotas, fez barulho em entrevista coletiva à imprensa com duras críticas a forma de atuação do Legislativo: “Nossa candidatura é mais para fazer a defesa de propostas para melhorar o Poder Legislativo. O Poder Legislativo tem que estar mais aberto à sociedade, tem que ser um poder independente e não como está hoje quando vive uma subserviência em relação ao Poder Executivo, não há um debate sobre os projetos que vêm do Executivo. A aprovação é a toque de caixa. Têm comissões que nem se reúnem porque têm maioria governista, que nem cumpre o Regimento (Interno) para reunir e debater. Sequer convocam os membros porque é tudo aprovado mesmo. Não realizam audiência para debater, por exemplo, o Orçamento do Estado, principal Lei anual, o povo não é chamado para discutir nada. No ano passado não teve sequer uma audiência pública, embora a Legislação fale que tem que ter audiências”.

Assim ele classificou sua candidatura: “Estamos nos insurgindo contra essa situação vivida pela Casa. É uma forma de dizer que precisamos mudar o nosso Parlamento. E de dizer que é inaceitável que nessa chapa tenha uma pessoa, um parlamentar que quer continuar como Ouvidor-Corregedor – falando do deputado Ricardo Nicolau – e respondendo a processos por superfaturamento e desvio de dinheiro da Assembleia Legislativa. Não podemos compartilhar disso”

Wanderley, Vicente e FranciscoProtesto

Em uma manifestação inesperada que gerou alguma tensão, os deputados Wanderley Dallas (PMDB), Vicente Lopes (PMDB) e Francisco Souza (PSC)  – este último gerou surpresa entre os colegas jornalistas já que fez parte da coligação do governador José Melo –  mandaram distribuir à imprensa uma “Nota de Protesto”, segundo eles, pela “ forma incorreta com a qual foi composta a Mesa Diretora”.

Segundo eles, o artigo 8º, inciso I, do regimento Interno da Casa, determina que “a composição da Mesa Diretora atende ao princípio da representação proporcional, disposição esta, que não foi respeitada”, o que os três parlamentares qualificaram como quebra do “princípio básico da democracia que é o respeito às minorias, na aplicabilidade d igualdade mesmo entre os desiguais”.

Atestando isso na prática, os deputados peemedebistas Wanderley Dallas e Vicente Lopes, exemplificaram ao Radar apontado o fato de que na Mesa Diretora estão todos os deputados do PSD do senador Omar Aziz, Davi Almeida, Josué Neto e Ricardo Nicolau. “Ou seja, é a Mesa Diretora do PSD”, comentou o deputado Vicente Lopes, ex-secretário-geral da Aleam, cargo agora ocupado exatamente por um dos parlamentares do PSD, o deputado Davi Almeida. (Any Margareth)