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Eletrobras anuncia fechamento de hospital da Vila de Balbina e moradores programam manifestação para sexta (29)

Cerca de 8,5 mil moradores da Vila de Balbina e redondezas, no município de Presidente Figueiredo (a 127 quilômetros de Manaus) correm o risco de ficar sem atendimento médico a partir da próxima sexta-feira (29). Isto porque o único hospital do local que é administrado pela empresa Eletrobras Amazonas Geração e Transmissão de Energia (G&T) decidiu fechar as portas do local e virar as costas para a população.

O anúncio do fechamento do hospital foi feito durante uma audiência pública, na semana passada, na Câmara Municipal de Presidente Figueiredo. A “novidade” pegou todos de surpresa, mas nenhuma autoridade pública adotou qualquer providência a respeito. Após a audiência, a empresa ainda colocou um cartaz na frente do hospital “anunciando” o fechamento da unidade.

O prefeito Romeiro de Mendonça informou que está tentando articular com a empresa uma proposta para que o município assuma as responsabilidades com Educação, Saúde e Limpeza na Vila, desde que a estatal repasse, por cinco anos, recursos para a Prefeitura manter o local estruturado, já que o Executivo não tem condições financeiras, segundo ele, para arcar com os serviços.

Questionado sobre o fechamento do hospital, Romeiro disse que fez uma ligação para o responsável pela empresa. “Eu liguei para Valdir Junior que pediu um tempo para conversar com sua equipe técnica na tentativa de suspender a decisão, vou aguardar uma resposta para começarmos uma nova mesa de negociações. Caso seja negativa, vamos entrar na Justiça o quanto antes para reverter isso”, disse o prefeito.

Vale lembrar que a vila foi construída pela Eletrobras Energia como contrapartida para a degradação ambiental gerada pela barragem para a construção da usina hidrelétrica de Balbina. A vila é administrada pela empresa e, inicialmente, deveria abrigar apenas funcionários da usina, mas operários e ribeirinhos decidiram ficar na região.

Além das famílias da Vila de Balbina, se o hospital parar mesmo de funcionar, devem ser afetadas diretamente as famílias dos Ramais da Morena, da Bela Vista e da Macaca Bóia, no Rio Uatumã; já pela AM-240, devem ser afetadas as famílias desde a Comunidade São Miguel, no quilômetro 50, passando pela comunidade Nossa Senhora de Nazaré, no quilômetro 62, até a comunidade Fé em Deus no quilômetros 66 e todos que moram no Lago de Balbina.

Sem o hospital, Balbina contará apenas com uma Unidade Básica de Saúde (UBS) que é mantida pela Prefeitura de Presidente Figueiredo desde 2004. No entanto, a UBS não atenderia as situações de emergências por prestar o serviço ambulatorial com funcionamento de segunda a sexta, das 8h às 17h.

Manifestação

E já que nem mesmo a Prefeitura adota uma medida a respeito, os moradores resolveram arregaçar as mangas e ir para ruas, na sexta-feira, fazer um protesto e tentar chamar a atenção de autoridades estaduais. Lideranças comunitárias irão para frente do hospital pedir que o local não seja fechado e farão uma passeata.

De acordo com um dos dos organização da manifestação, o professor Leonildo Nascimento, a intenção é chamar atenção de todos sobre a situação. “A nossa passeata deve percorrer a vila com o único objetivo de conscientizar a população e autoridades competentes sobre o risco das centenas de vidas que necessitam de cuidados médicos, em sua maioria pessoas que trabalham no campo, ou seja, manipulam terçado e enxada, andam nas estradas com carros, motocicletas, bicicletas ou a pé, sujeitas a qualquer acidente”, disse Nascimento.

Além da manifestação, o professor contou que a comunidade vai fazer um abaixo assinado que será anexado a uma nota de repúdio encaminhada aos Ministérios Públicos do Estado e Federal. “A intenção é cobrar no documento um posicionamento e uma solução para os moradores da vila”.

Os moradores aproveitarão a manifestação para reivindicar, ainda, a reforma da escola municipal que atende cerca de 600 crianças do Ensino Fundamental, questionar o abandono do museu de Balbina – planejado pelo renomado arquiteto Severiano Mário Porto – o fechamento de serviços como o dos correios e um possível despejo das famílias.

“Ano passado movemos uma ação e a Câmara Municipal de Presidente Figueiredo chegou a aprovar uma verba de R$ 500 mil para a reformada da escola. O vice prefeito Mário Abrahão (PDT) esteve aqui no começo do ano e anunciou que na segunda quinzena de janeiro se iniciaria os reparos, mas nada foi feito até agora”, reclamou Nascimento.

O prefeito afirmou que o dinheiro aprovado pelo Parlamento Municipal ainda não foi utilizado mas um levantamento da estrutura já está sendo feito. “No entanto, é necessário aprovar um Projeto de Lei para incorporar a imóvel no patrimônio da prefeitura para então começar a reforma”, disse Romeiro Mendonça.

A Eletrobras Amazonas Geração e Transmissão de Energia (G&T) também foi procurada, por meio de assessoria de imprensa para comentar sobre o encerramento das atividades do hospital da vila de Balbina, mas até o fechamento desta matéria não respondeu aos questionamentos do Radar.