Eliseu Padilha é nomeado ministro interino do Trabalho

O ministro Eliseu Padilha (MDB) assumirá interinamente o comando do Ministério do Trabalho com o pedido de exoneração de Helton Yomura. Ele acumulará a função com a chefia da Casa Civil, que já ocupa.

A decisão foi tomada na noite dessa quinta (5) pelo presidente Michel Temer, após Yomura comunicar sua demissão. Antes, o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, anunciara que partido colocava o cargo à disposição.

Sua nomeação foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União, ainda ontem.

O Planalto hesitou ao longo de todo o dia sobre o que fazer. Favoreceram um desfecho as dificuldades para reverter com celeridade o afastamento dele no Judiciário. O recurso natural seria à Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, que está em recesso e só volta a se reunir em agosto.

Nesta quinta mesmo, Temer se reuniu com aliados para definir o comando na pasta e, com isso, evitar que o escândalo de venda de registros sindicais se prolongue e afete ainda mais o governo.

“É uma situação que nos entristece, obviamente. O governo deve apresentar sua posição oficial sobre assunto talvez ainda hoje”, declarou o chefe da Secretaria de Governo, Carlos Marun, pouco antes do anúncio de Padilha, num pronunciamento em que se defendeu das suspeitas.

+ Após ser alvo da PF, Marun quer aprovar lei de abuso de poder

Irritado, se disse vítima de uma “conspiração asquerosa” por ter feito críticas a órgãos de investigação. Marun cobrou do Congresso a aprovação do projeto de lei que trata do abuso de autoridade. Disse ainda que apresentará na segunda (9) requerimentos nas corregedorias da PF e do MPF para apurar o vazamento de informações sobre seu caso, noticiado pela Folha de S.Paulo.

“Vou apresentar uma queixa crime em relação a este vazamento direcionado, seletivo, canalha, vagabundo, que só tem esse objetivo: que eu passe pelo constrangimento que estou passando.”

O ministro negou que tenha qualquer envolvimento com ilícitos apurados pela PF. Disse que houve apenas conversas entre seus assessores e representantes da pasta, o que classificou como “atos de rotina”.

Yomura disse à reportagem ter ficado muito surpreso com a investigação e que não há provas de envolvimento em quaisquer crimes. Questionado sobre a afirmação dos investigadores de que, no cargo, ele se reportava a Jefferson e à filha dele, a deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ), respondeu: “Meu tratamento [com eles] é institucional”.

O advogado Breno Valadares, da defesa de Yomura, declarou ainda que todas as medidas tomadas pelo ministro “estão em conformidade com a lei e o interesse público”.

Segundo ele, seu cliente adotou providências rigorosas no ministério, como a exoneração de servidores sob suspeita e a abertura de sindicâncias e processos administrativos para apurar os casos.

Cristiane Brasil afirmou que matéria da Folha de S.Paulo sobre suas mensagens com Yomura, “assim como as denúncias [da PF], são construídas em cima de retalhos de diálogos, sem apresentar partes importantes, como aquelas nas quais recomenda aos interlocutores que não façam nada de errado, não arredondem bolas quadradas, ajam da maneira mais ética possível e sempre deixem um legado de gestão que honre” o PTB.

Ela comentou que “a criminalização da política, sem a devida fundamentação, e denúncias carentes de provas em nada contribuem para o combate à corrupção”.

Em nota assinada por Roberto Jefferson, o PTB reafirmou que apoia as investigações. “Se houve irregularidade na pasta, caberá aos responsáveis responder à Justiça.”

“Não participei de qualquer esquema espúrio no Ministério do Trabalho. E acrescento que minha colaboração restringiu-se a apoio político ao governo para que o PTB comandasse a pasta”, escreveu.

O deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP) negou ter atuação no Ministério do Trabalho e disse que é normal estarem vistoriando seu gabinete.

“É porque o ministro do Trabalho é do PTB, então estão vistoriando o gabinete de todos os deputados”, justificou.

Sobre o mandado de prisão temporária contra um de seus assessores, Jonas Antunes, disse que o auxiliar estava “prestando depoimento porque conhece muito essa área de sindicatos”.

A reportagem não localizou representantes de Renato Araújo, Jéssica Mattos, Jonas Antunes, Júlio Bernardes, e Adriano José Lima Bernardo. Com informações da Folhapress.