Em carta com tom ameaçador, Praças da PM e dos Bombeiros prometem transformar o outubro rosa do governador em cinza

Melo PM

A fumaça que encobriu Manaus nos últimos dois dias pode ser considerada um prenúncio do que está para acontecer na segurança do Estado a partir deste mês de outubro: um mês cinza. Isso porque caro leitor, cansados de serem enrolados e não virem ser concretizadas nenhuma das promessas feitas pelo governador José Melo, os praças, por meio da Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, divulgaram uma carta aberta (ver carta no final da matéria), e em tom ameaçador, na qual dizem que irão buscar “medidas alternativas para que as coisas realmente aconteçam …SÓ QUE AGORA, DO NOSSO JEITO”.

O documento lista os compromissos acordados entre a categoria e o governador do Amazonas, durante a paralisação dos praças, ocorrida no dia 28 de abril do ano passado, ocasião em que o Professor Melo se comprometeu em realizar as promoções esperadas, reajustar salário; implementar o Código de Ética; viabilizar os auxílios fardamento e moradia; regularizar as GTEs entre outras coisas.

A carta ressalta que tudo os que os policiais viram das últimas eleições até o momento atual – entre promessas não cumpridas e leis desrespeitadas -, “foram várias situações de PMs sendo excluídos, muitos sendo punidos com autoritarismo e tirania isoladamente em seus quartéis, abertura de diversos IPMs (Inquérito Policial Militar), auditorias militares, entre outras”.

Em determinado trecho do documento divulgado pela Associação dos Cabos e Soldados, o governador é tachado de “ingrato e relapso”, em referência ao tratamento dispensado à tropa da PM e Bombeiros – estes últimos, coitados, estão se virando nos 30 para apagar os inúmeros focos de incêndio que tomam conta da capital e do interior.

Sobra também para os deputados estaduais eleitos, que conforme a carta “supostamente seriam os grandes defensores dos nossos interesses”, entretanto, ainda não mostraram nada que pudesse auxiliar a categoria.

Diante da falta de perspectivas, a Associação afirma que “È HORA DE DAR UM BASTA!” e que “AS COISAS NÃO VÃO MELHORAR!”
“CHEGA DE ENROLAÇÃO! CHEGA DE REUNIÕES E MAIS REUNIÕES, que no fim das contas não dão em nada, só mais tempo para o governo seguir nos atrasando e nos enganando!”, cita um outro trecho do documento.

Como todo mundo sabe em qualquer ocorrência o primeiro a chegar é o Praça da PM, que arrisca a vida, para garantir a de outras pessoas. Mas, conforme alguns integrantes da categoria, a tropa está fazendo uma greve branca, ou seja, se você leitor for assaltado ou precisar de ajuda policial, esqueça, pois os soldados da PM começaram a fazer corpo mole, chegam ao local do crime, horas depois do ocorrido, entre outras coisas.

E isso fica bem claro em um trecho da carta “não podemos e nem vamos nos submeter ao que determinem, quer seja o governo, o comando, políticos/deputados ou autarquias estaduais quaisquer (…). Não aceitaremos mais desculpas. Independente do que venha a ser alegado com ou sem planejamento do estado, com ou sem recursos, verbas, com ou sem crise econômica, com ou sem vossas permissões, nobre autoridades … no mês de OUTUBRO DE 2015 será a nossa vez de tratar sobre essas questões” .

A associação finaliza a carta informando que junto com a tropa estará buscando medidas “alternativas”, para que as coisas realmente aconteçam … “SÓ QUE AGORA, DO NOSSO JEITO” (Redação Radar)

Carta praças

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