Em Coari, prefeito anuncia “grande mudança” no secretariado que inclui fichas sujas, sua cunhada, além de irmãos e mulher de vereador

prefeito igson moneteiro

Segundo o que está divulgado no blog de propriedade do secretário de Comunicação do município de Coari (e acabamos de descobrir que vai acumular o cargo de chefe de gabinete do prefeito), o comunicólogo – definição dada por ele próprio, viu gente? -, Daniel Maciel, o prefeito em exercício de Coari, Igson Monteiro, teria informado “através de nota à imprensa (não se sabe de qual imprensa está falando já que só lemos nesse blog), que está promovendo uma grande mudança no primeiro e segundo escalão da Prefeitura de Coari”.  Diz ainda no blog que a mudança no secretariado visa tornar “ainda mais eficiente – onde é que tem isso mesmo, gente? – o funcionamento dos serviços prestados à população, por parte dos órgãos públicos municipais, acrescentando ainda que “a reforma administrativa municipal, tem o objetivo de otimizar as ações realizadas pelo Executivo Municipal” – otimizaram pelo menos o texto que não está mais carregado de erros crassos de português e nem de muita tentativa de ironia sem noção e sem talento.

o texto tem mais umas “trocentas”  linhas de lambança oficial falando de “avaliação de desempenho”, “satisfação do público-alvo” e “busca de deficiências existentes” – melhor não ficar buscando deficiência se não vai ter que mudar o Governo inteiro!  Mas, em nenhuma linha do texto se encontra o nome dos respectivos secretários, deixando entender que o prefeito em exercício está fugindo que nem o diabo foge da cruz de citar os nomes de quem faz parte dessa “grande mudança” no primeiro e segundo escalão”. Porém, se as fontes do Radar estiverem certas e a tal mudança é uma tentativa do prefeito de melhorar sua imagem diante do Judiciário fazendo de conta que agora manda na Prefeitura e que está se livrando da “turma do Adail”, na tentativa de evitar uma intervenção como a que foi pedida pelo Ministério Público do Estado (MPE) ao Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), a coisa vai pegar mal depois que o Radar contar quem faz parte desse secretariado.

Já foi captado pelo Radar, que quem vai ficar na secretaria municipal de Educação, é José Henrique de Oliveira Freitas, que estava ocupando o cargo de secretário de Agroeconomia – se vai acumular os dois cargos não sabemos. José Henrique é aquele ex-vereador que foi cassado pela Justiça Eleitoral em 2009 por abuso de poder econômico e conduta vedada a agentes públicos, acusado de gastar R$ 4 milhões dos cofres públicos, junto com o prefeito Adail Pinheiro (que também foi cassado nessa época), para comprar brindes e distribuir à população em período eleitoral. José Henrique foi impedido pela Justiça Eleitoral de ser o candidato a vice na chapa de Adail Pinheiro, nas eleições de 2012, por estar incluído na lista de fichas sujas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Por causa do seu impedimento foi que entrou em cena, o então irmão redentorista (e hoje prefeito em exercício), Igson Monteiro.

Parentes e aderentes

Como secretária-adjunta de José Henrique, na pasta da Educação,  vai estar a irmã do vereador Roberto Queiróz, Jorgiana Queiróz. Ana Cristina, esposa do vereador Jerbson Alves virou secretária de Desenvolvimento Social e na secretaria-adjunta de Meio Ambiente estará Valdenilson Cruz, irmão da vereadora Cleiciane Cruz, ex-cunhada de Adail Pinheiro, e esposa do ex-vereador, o médico perito do INSS, Natanael Alencar, preso na “Operação Crença”, deflagrada pela Polícia Federal no início do ano. Ele é acusado de envolvimento em fraudes na previdência que teriam atingido o montante R$ 3 milhões. As fraudes se concentrariam principalmente no benefício de amparo ao idoso e ao deficiente. O médico Natanael Alencar vem sendo alvo de denúncias desde que era vereador, nos anos de 2008 a 2012. Há uma denúncia de que ele teria utilizado até mesmo o nome de sua mãe em uma das aposentadorias fraudulentas. Em 12 de outubro de 2012, mais denúncias envolvendo o médico e sua esposa, eleita vereadora mais votada de Coari, Cleiciane Cruz, chegaram à Justiça Eleitoral de Coari. Os denunciantes alegam que o médico concedia auxílio doença em troca de votos para sua esposa- candidata, inclusive para eleitores que transferissem seus títulos das cidades de Tefé, Codajás e do Juruá para Coari.

Aposentadorias também teriam sido concedidas para quem trabalhou na campanha da vereadora Cleiciane Cruz. Em contrapartida, segurados do INSS, até mesmo pessoas com deficiência física comprovada teriam denunciado que não conseguiram o auxílio doença porque não aceitaram fazer parte do esquema de troca de votos por benefícios. Todas essas denúncias fazem parte de um processo na Justiça Eleitoral, sob instrução da juíza Sabrina Cumba Ferreira (nem se sabe se ainda está), desde 2012. Mas até hoje, o processo está parado.

Na anunciada reforma do prefeito também estão as secretarias de Gás e Petróleo e Institucional que passariam a ser apenas departamentos. Seus titulares são, respectivamente, o ex-vereador cassado Adão Martins e Marcos Rolland, que assim como o Radar já noticiou, é filho do dono da empresa Euclides Ribeiro e Filhos – EPP, que somente no ano passado forneceu R$ 5,7 milhões em combustível para a Prefeitura de Coari. E, pasmem, a cunhada do prefeito, Heloisa Lima, esposa de seu irmão, o vereador Eliseu Silva, será a representante do município em Manaus. (Any Margareth)