Em Coari, uma nova “política na saúde” faz com que pessoas voltem a enxergar e tira pacientes da inaptidão para o trabalho

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Devolvendo uma vida normal para pessoas inutilizadas por problemas de saúde e reduzindo custos de intervenções cirúrgicas que antes eram feitas em Manaus, foram realizadas 83 cirurgias neste final de semana (05, 06 e 07) em Coari, em um Mutirão de Cirurgias feito em parceria pela Secretaria municipal de Saúde (Semsa), e a Secretaria de Saúde do Estado do Amazonas (Susam).

O Estado disponibiliza o corpo clínico formado por 07 profissionais da Susam, sendo dois cirurgiões gerais, um médico gineco-obstetra, duas enfermeiras, um instrumentador e um anestesista. A Prefeitura de Coari entra com a estrutura, sala de cirurgia, material cirúrgico, pessoal de apoio, estadia e alimentação para os profissionais de saúde do Estado. Foram feitos pelo menos 10 tipos de procedimentos cirúrgicos, como histerectomia (retirada do útero), hérnias, colpoperineoplastia (reconstituição do músculo períneo), salpingectomia (retirada das trompas, mioma uterino, fimose, pedra na vesícula, nódulos mamários e retiradas de cistos de saco escrotal e de ovário.

Os pacientes esperavam procedimentos cirúrgicos há quase dois ano, com uma lista de espera que crescia dia após dia. “A espera de uma cirurgia só agrava o quadro clínico do paciente”, avaliou o secretário de Saúde de Coari, o médico”, Jani Kenta Iwata – ocupava anteriormente o cargo de subsecretário de Gestão da Atenção à Saúde da Prefeitura Municipal de Manaus. Kenta explica ainda que muitos desses pacientes passam a não ter mais uma vida normal, ficam inaptos para o trabalho, por um problema de hérnia, por exemplo. E, conta que muitos desses procedimentos cirúrgicos que poderiam estar sendo realizados em Coari, eram feitos em Manaus. “Isso faz com que a Prefeitura tenha que gastar com traslado, estadia, alimentação, com a permanência desses pacientes em Manaus”, avalia Kenta, lembrando que agora esses recursos podem e devem ser gastos em outras áreas. Os gastos giram em torno de R$ 5mil só com o traslado de um paciente, com um acompanhante.

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Pacientes são preparadas para as cirurgias

Os mutirões de cirurgia começaram já no primeiro mês da nova administração. O primeiro ocorreu no início do mês de maio e foi apenas de cirurgias oftalmológicas, com 28 intervenções para a cura de uma doença conhecida popularmente como “catarata”. Este final de semana, até mesmo neste domingo, pacientes foram operados, num total de 83 intervenções cirúrgicas. Nos dias 17 e 18 desse mês, mais um mutirão, dessa vez também de cirurgias oftalmológicas, comumente conhecidas como “carne crescida”, com um número de pacientes operados ainda maior, um total de 40.

“Assim que eu nomeei o secretário de saúde, ele me apresentou um relatório apontando que existiam muitas pessoas aguardando cirurgia, porque algumas jornadas de cirurgias haviam sido canceladas pela Susam por falta de parceria com a prefeitura. O município não estava dando a contrapartida”, contou o prefeito de Coari, Raimundo Magalhães.A saída encontrada pelo prefeito foi reaproximar a gestão do município com a da Susam.

“Eu determinei ao nosso secretário de saúde que não permitisse que isso voltasse a acontecer, que ele procurasse os responsáveis e dissesse que nós queríamos as jornadas de cirurgia de volta a Coari, e deu certo, este já é o segundo mutirão de cirurgia que nós realizamos em menos de dois meses de governo. No primeiro mutirão foram realizadas 28 cirurgias de cataratas e já temos um novo mutirão preparado para este mês de junho”, anunciou Magalhães.

Terra de cego

A secretaria de Saúde de Coari ainda nem conseguiu calcular o total de pessoas que estão cegas, ou parcialmente, sem o sentido da visão no município. Cada vez surgem mais pacientes, muitos vindo da zona rural, que não tinham expectativa de que iriam fazer a cirurgia. Um desses casos o de Francisco Chagas da Silva, de 60 anos, que mesmo com o uso dos óculos só conseguia enxergar vultos.

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“Ver alguém voltar a enxergar é como se agente visse um homem nascer de novo”, diz Magalhães ao retirar os curativos de Seu Francisco

Seu Francisco não enxerga há três anos. Entrou no hospital de Coari com a ajuda do filho e o uso de uma bengala improvisada com um cabo de vassoura. Ele fala de uma vida sem poder enxergar, sem ter condições de caminhar ou sequer de comer sozinho (ver vídeo). Após a cirurgia e a retirada dos curativos, a primeira frase dita por Seu Francisco é de que sua esposa era muito bonita.