Em coletiva sobre aprensão de 1 tonelada de cocaína, policiais protestam contra o governador  

Coletiva contou com investigadores e escrivães cobrando o pagamento de direitos trabalhistas 

 

Durante uma coletiva sobre a apreensão de uma tonelada de cocaína, avaliadas em R$17 milhões, policiais civis do Amazonas, realizaram um protesto contra o governador Wilson Lima (União Brasil) cobrando a valorização da categoria por parte do governo do Amazonas, através do pagamento de direitos trabalhistas como o escalonamento dos salários, além do destravamento das promoções, congeladas desde 2011.

Eles aproveitaram o momento para expor faixas com a frase ‘Valorização Já! União IPC e EPC-AM’, além de cobrar pelo pagamento.

“Aproveitamos o momento para sensibilizar o governador para ele valorizar os escrivães e investigadores, que estão diariamente no sol, na chuva, na lama, colocando mais uma vez sua vida em risco para dar uma resposta à sociedade”, informou o investigador James Figueiredo.

Figueiredo ressaltou ainda que a droga apreendida seria distribuída por Manaus, mas foi retirada de circulação apesar da categoria estar deixada de lado por Wilson Lima. “Mesmo com toda essa problemática que está existindo contra a classe dos investigadores e escrivães, nós estamos cumprindo o nosso papel, que é combater o narcotraficante e colocando a nossa vida em risco”, finalizou Figueiredo.

Nas últimas semanas a categoria vêm realizando manifestações contra o governador Wilson Lima, com duas já tendo sido registradas. A primeira foi feita em 25 de maio e mobilizou cerca de 400 servidores, segundo a organização. A segunda manifestação ocorreu em 15 de junho. Nos protestos houve a realização de carreata, saindo da Delegacia Geral com destino à sede do governo do Amazonas. Nas duas vezes eles não foram ouvidos por Wilson Lima (UB).

No último dia 22 deste mês, após meses sem respostas de Wilson Lima, o Sindicato dos Servidores da Polícia Civil do Amazonas (Sinpol-AM) lançou um Edital de convocação para uma Assembleia Geral Extraordinária para votar um indicativo de greve da categoria. A assembleia será realizada no próximo dia 30 deste mês. A convocação foi feita pelo presidente em exercício do Sinpol, Renato Damasceno Bessa.

O governador, de acordo com os organizadores, se recusa a pagar o escalonamento, querendo parcelar em mais 5 anos um valor que já foi parcelado.

“Todo ano é uma briga e o que o governador nos propôs foi o parcelamento da última parcela e isso a gente não aceitou”, relatou a presidente do Sindicato dos Escrivães e Investigadores da Polícia Civil (Sindeipol), Tharcila Martins.

“Ele quer parcelar o que já foi parcelado e nós não iremos aceitar isso”, afirmou o James Figueiredo, na época. De acordo com ele, o escalonamento já foi parcelado em 5 anos, com o governador se negando a pagar a última parcela, querendo postergar o pagamento por mais meia década e comprometer o orçamento do próximo governador, que será eleito em outubro.

Além do pagamento do escalonamento, a categoria também briga pelas promoções, que não ocorrem desde 2016 e que por lei deveriam ocorrer a cada 2 anos, segundo o investigador James Figueiredo.

“Estamos há 8 anos sem sermos promovidos; o governo promoveu somente delegados. Os escrivães que entraram em 2011 continuam na quarta classe. Tem colega com 30 anos de polícia e continuam na primeira classe. E tem uma decisão judicial, que está por força de justiça, e o governo não quer cumprir. Queremos o pagamento da última parcela do escalonamento. Isto é um acordo que a gente fez lá atrás, pagamento da nossa perda salarial em cinco anos. Esse seria o último ano. O governo tem dinheiro, está na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) e ele (governador) não quer pagar. Está se transformando em uma coisa pessoal contra a base da polícia, escrivães e investigadores e que representam 1.650 servidores. E ele não respeita esses servidores. Só queremos que ele cumpra a lei”, argumentou o investigador.