Em depoimento ao MPF, Afonso Lobo é confrontado sobre desvio de R$ 88 milhões da educação

O ex-secretário de Estado da Fazenda do Governo de Melo, Afonso Lobo, foi arrolado como testemunha de defesa da advogada Priscila Marcolino e do médico Mouhamad Mustafá, acusados de comandar uma organização criminosa que desviou mais de R$ 120 milhões da saúde pública do Estado – dá pra entender a fonte pagadora ainda servir de testemunha de defesa, meu povo? Lobo esteve, nessa segunda-feira (26), na 4ª Vara da Justiça Federal no Amazonas para prestar depoimento e foi confrontado com fato apontado pelo Ministério Público Federal (MPF) de que houve desvio até mesmo de verbas federais destinadas à educação, num montante de aproximadamente R$ 88 milhões, para o esquema de corrupção na saúde pública do Estado.

Segundo explicou o procurador da República, Alexandre Jabur, a constatação do uso de verbas públicas do Fundeb faz parte de nota técnica da Controladoria Geral da União (CGU) demonstrando que esses recursos retirados da educação abasteceram o Instituto Novos Caminhos do médico Mouhamad Mustafá.

Lobo questionou os trabalhos da CGU, afirmando que os recursos repassados para o Instituto Novos Caminhos eram oriundas do Tesouro estadual – como se fosse menos grave fazer mal uso do dinheiro do contribuinte do Amazonas, né mesmo gente? Visivelmente, o ex-secretário, assim como outros envolvidos no caso, tenta tirar o inquérito da esfera federal porque os acusados acreditam que, sendo processados em nível estadual, fica mais fácil se livrar de punições na Justiça – por que será que eles pensam isso, né meu povo?

“As justificativas apresentadas por ele não foram adequadas. Ele também não soube explicar porque algumas contas do Amazonas não entraram no balanço contábil do Estado, além de sugerir que a Sefaz é que deve prestar estas informações”, informou o procurador federal Alexandre Jabur.
Ele salientou que tais fatos poderão gerar desdobramento mais à frente no caso.

“As verbas de educação devem ser empregadas na área de educação e não repassadas para outros setores”, observou.

Durante à tarde outras duas pessoas investigadas pela operação prestaram depoimentos como testemunhas de defesa de Mouhamad.

O ex-diretor do Centro de Reabilitação Ismael Abdel Aziz, Pablo Gnutzmann Pereira, apelou para o direito de se manter em silêncio

As audiências do caso deverão ter continuidade em agosto, quando o deputado estadual Belarmino Lins deverá prestar depoimento também como testemunha de defesa de Mouhamad Mustafá, conforme requisitou a defesa do médico. (Da equipe do Radar)