Em disputa acirrada, peruanos vão às urnas para eleger o presidente

Direitista Keiko Fujimori e o esquerdista Pedro Castillo estão empatados nas pesquisas
MARTIN MEJIA, CESAR BAZAN / X07403 / AFP

Os peruanos elegem neste domingo (6) o novo presidente do país, que teve quatro governos desde 2018. A disputa está acirrada, segundo as pesquisas, entre a direitista Keiko Fujimori e o esquerdista Pedro Castillo. Os dois candidatos estão virtualmente empatados.

Mais de 25 milhões de cidadãos estão aptos a ir às urnas, um milhão deles estão no exterior. O voto é obrigatório.

A expectativa é de que os primeiros resultados oficiais sejam anunciados até as 23h deste domingo (1h de segunda-feira, no horário de Brasília).

Quem ganhar terá que buscar acordos em um congresso fragmentado para evitar que persista a instabilidade dos últimos cinco anos, que provocou a sucessão de três presidentes em cinco dias em novembro de 2020.

Com cidades repletas de propaganda política, os eleitores confrontam suas baixas expectativas no próximo presidente. “Não queremos que o país fique nas mãos de um comunista”, alerta Cecilia Yep, comerciante de 52 anos filha de imigrantes chineses, ao explicar por que apoia pela primeira vez Fujimori.

Mas Bernardo Cáceres, um antropólogo de 59 anos, afirma que votará em Castillo só porque está convencido de que “Keiko é a pior inimiga da democracia, porque reivindica um passado de abuso autoritário”, disse à AFP.

O professor de escola rural e a filha do ex-presidente preso Alberto Fujimori encerraram suas campanhas na quinta-feira em Lima com atos com centenas de apoiadores amontoados, enquanto a pandemia não dá trégua no Peru. Nesta semana, o país passou a ter a maior taxa de mortalidade por covid-19 do mundo.

Keiko Fujimori, de 46 anos, defende a continuidade do modelo neoliberal instaurado pelo seu pai (1990-2000), enquanto Castillo, de 51, defende um papel econômico do Estado ativo na economia.

Os dois lideraram nesta semana grandes e coloridos atos de campanha em diferentes cidades buscando captar os votos dos indecisos, que rondavam os 18% nas últimas pesquisas.

Depois de uma campanha marcada pela exacerbação dos medos, para muitos essa eleição será a escolha “do mal menor” entre dois candidatos que juntos receberam 32% dos votos no primeiro turno, em 11 de abril.