Em Manacapuru, 32 mil pessoas sofrem com o impacto da enchente

Foto: divulgação DPE-AM

Com a cama a poucos centímetros da água escura e malcheirosa, Cleyneide dos Santos da Silva, de 24 anos, vem passando as últimas noites, ao lado do marido e da filha de 3 meses. No Bairro Correnteza, onde ela mora com a sogra e cinco cunhados, a maioria dos imóveis foi invadido pelas águas. A dona de casa está entre as 32 mil pessoas afetadas pela enchente em Manacapuru (a 80 quilômetros de Manaus).

Segundo a prefeitura do município, atualmente 12 bairros sofrem com as consequências da enchente dos rios Solimões, Miriti e Manacapuru. “Hoje, 30% da cidade está no fundo”, afirmou o prefeito Beto D’Ângelo, ao citar que 178 comunidades ribeirinhas também enfrentam os impactos do fenômeno. Na terça-feira (4), a cota do rio Solimões estava em 20,05m. Em 24 horas, o rio havia subido 5 centímetros.

De acordo com o defensor público geral do Amazonas, Ricardo Paiva, Manacapuru enfrenta atualmente, uma grave situação de vulnerabilidade, com pessoas “vivendo em condições subumanas”. Paiva se reuniu nesta terça com o prefeito do município, Beto D’Ângelo, e visitou áreas atingidas pela cheia.

Após ouvir o prefeito e os relatos das vítimas da enchente, Ricardo Paiva sustentou que a Defensoria fará recomendações tanto ao Estado quanto ao próprio município, de modo a minimizar os impactos do fenômeno na vida da população. Vão constar entre os pedidos o envio de ajuda humanitária e a criação de um serviço de alerta para as enchentes.

“Essas visitas que temos feito nos permitem ver a realidade em cada município. Aqui em Manacapuru percebemos os efeitos da cheia sobre os produtores rurais. É preciso um olhar atencioso para os ribeirinhos que desejam voltar a produzir. É importante que o Estado do Amazonas dê uma atenção especial para essas pessoas”, disse Ricardo Paiva.

Conforme o defensor geral, o objetivo da DPE-AM é promover a interlocução da população com o Governo do Estado e o Poder Executivo Municipal, e cobrar providências em favor do produtor rural e moradores da área urbana. “A Defensoria percebeu que o município de Manacapuru, em comparação a outros, tem um plano mais coordenado”, comentou ele.

Aflição

Quanto mais os dias passam e a promessa de mais um recorde da cheia se avizinha, a dona de casa Lenice Borges, 21, que mora no Centro de Manacapuru, vive dias de apreensão, já que cuida de uma criança especial e uma idosa de 90 anos. Segundo ela, o maior desafio, agora, é transitar pelas pontes improvisadas, que, na sua opinião, chegaram tarde.

Recomendações

A DPE-AM também expediu recomendação para que as prefeituras de Boca do Acre, Pauini, Lábrea, Canutama, Tapauá, Beruri, Guajará, Ipixuna, Envira, Eirunepé, Itamarati e Carauari adotem medidas de enfrentamento paras as cheias. O trabalho deve ser feito com a implantação de um Plano de Contingência com ações a curto prazo.

Entre as medidas constantes na recomendação estão a identificação, avaliação e cadastramento da população ameaçada ou atingida pela enchente e atendimento para abrigar moradores da região afetada, além da distribuição de ajuda humanitária que inclua kit higiene. A ação deve ser feita atendendo regras de distanciamento social e prevenção ao coronavírus.

No Polo do Médio Solimões, com sede em Tefé, a Defensoria requisitou informações sobre medidas de enfrentamento à crise causada pela cheia dos rios na região. Os ofícios foram encaminhados a cada prefeitura e Defesa Civil dos municípios de Alvarães, Tefé, Maraã, Fonte Boa, Japurá, Jutaí, Uarini e Juruá. As informações servirão para embasar ações judiciais ou extrajudiciais, se necessário.

(*) Com informações da assessoria da DPE-AM