Em queda nas pesquisas eleitorais, Artur Neto tenta se livrar do “abraço da morte”

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Em política, costumam chamar de “abraço da morte” quando um político que já está ruim junto à opinião pública, faz aliança com outro que está pior. Essa é a explicação para que o prefeito Artur Neto (PSDB) tenha decidido, depois de tanto tempo e de tanta revolta popular, largar a peia e ficar de mal com seu parceiro de longas datas, governador José Melo (PROS). Segundo a chamada grande imprensa do Estado, a explicação é outra. Artur Neto estaria revoltado com o fato do Governo do Estado estar devendo o subsídio das empresas de transporte coletivo, o que tornaria ainda mais difícil manter o preço da passagem em R$ 3, além de que o prefeito estaria insatisfeito com o tal do “reordenamento” do sistema de saúde que está provocando a ira popular.

Na verdade, Artur Neto apenas está vendo que o povo não vai gostar nadinha de um possível aumento de tarifa do transporte coletivo, o que pode enterrar sua reeleição. E nessa pendenga com os empresários de ônibus, que ele prometeu resolver quando ainda era candidato a prefeito, como não dá mais pra culpar a Dilma, culpa o Melo que já está desgastado mesmo e não é candidato nas eleições desse ano. A mesma estratégia Artur usa quanto ao fechamento das unidades de saúde. Vai para a imprensa, bota a culpa toda no Melo pelo péssimo serviço de saúde pública, sai de defensor da população e ainda demonstra publicamente que não tem mais nada a ver com o governador – acreditam nisso, meu povo?

A decisão estratégica de Artur Neto de desvincular sua imagem da de José Melo teria vindo após o resultado de consulta pública, feita no mês de maio, por um dos maiores e mais confiáveis institutos de pesquisa do Estado, onde Artur Neto aparece com uma rejeição que ultrapassa 22% – e olha que ainda nem começou a levar peia no Horário de Propaganda Gratuita -, uma intenção de voto de 27,1%, tendo o deputado federal Marcos Rotta em sua cola  e com um quadro desfavorável caso haja um segundo turno.

Mas, o caso de Melo ainda é muito pior. O governador está em queda livre – se cair em algum buraco acaba indo parar no Japão ´- com um percentual de 32% juntando o péssimo (23,1%) e o ruim (18,9%). O regular fica em 30,6% do eleitorado, o que significa dizer, que mais de 62% dos eleitores não estão nada satisfeitos com o governo do Estado. Uma avaliação de “bom” para o Governo de Melo foi apontada por 18,9% da população. E o ótimo é, coincidentemente, o índice que ele tinha quando foi candidato em 2014 (3%) e que todo mundo agora já sabe o que foi necessário pra ganhar a eleição, com mais de 50% dos votos.

Sabedor desses números restou ao prefeito correr do “abraço da morte” e jogar Melo n’água – igualzinho o coronel Frota mandou fazer com eleitores de Braga. Nesse caso, para Artur Neto, é antes só do que mal acompanhado. (Any Margareth)