Em Tapauá, secretariado é composto por irmãos e parentes do prefeito; pai recebe pensão vitalícia

Prefeito Tapauá e Pai

Entre as mais de 50 irregularidades que são apontadas no relatório do conselheiro substituto do Tribunal de Contas do Estado, auditor Alípio Firmo Filho, sobre o exercício financeiro de 2013 da Prefeitura de Tapauá, há a determinação para que o prefeito Almino Gonçalves de Albuquerque (PSD) acabe com nepotismo (contratação de parentes para cargos na administração pública) em sua administração – o relatório foi aprovado por unanimidade, com a reprovação das contas do prefeito e condenação para a devolução de mais de R$ 26 milhões aos cofres públicos.  Porém, o relatório não explicita que casos de nepotismo são esses na administração do Almino Gonçalves. Por isso, o Radar foi atrás dos casos de nepotismo que estariam ocorrendo em Tapauá e descobriu que a situação é mais séria do que se possa imaginar.

Pelo que parece, ser parente do prefeito Almino Gonçalves de Albuquerque é condição obrigatória para ser secretário em Tapauá. Segundo os próprios funcionários da prefeitura que acham um absurdo o uso do dinheiro público, por parte do prefeito, para pagar sua família, a secretaria por onde passam todos os recursos do município, a secretaria de Fazenda, está nas mãos de um dos irmãos de Almino Albuquerque, Cyro Gonçalves de Albuquerque.

Outro irmão de Almino Gonçalves, Ulisses Gonçalves de Albuquerque é o secretário de Produção e Abastecimento. Já a enteada do pai do prefeito, Ivaneide Melita de Andrade, que não possui laços consanguíneos com Almino Albuquerque, mas é tratada como irmã porque foram criados juntos, é representante do município em Manaus.

Na secretaria de Assistência Social, mais um parente do prefeito, sua sobrinha Evilin Albuquerque. “E esses são apenas os parentes que a gente sabe, porque os comentários são que outros parentes e amigos do prefeito estão na folha de pagamento, mas não se tem acesso à informação”, diz um servidor da prefeitura ao Radar.

Pensão Vitalícia

Em determinado ponto do parecer pela condenação do prefeito de Tapauá, Almino Gonçalves de Albuquerque, surge a seguinte determinação:   “Abstenha-se de pagar Pensão Vitalícia ao ex-prefeito Sr. Daniel Albuquerque por contrariar a ADIN 3853 do STF, da Relatoria da Ministra Carmem Lúcia (DJ 26/10/2007), cujo entendimento é pela inconstitucionalidade do pagamento de benefícios dessa natureza a ex-agentes públicos, sob pena de o Agente responsável pelo pagamento ser considerado em alcance pelo dano patrimonial praticado”. E o Radar descobriu que o ex-prefeito Daniel Albuquerque é ninguém menos que o pai do prefeito Almino Albuquerque que recebe pensão vitalícia da Prefeitura de Tapauá – será que o prefeito atrasa a pensão do pai e os salários dos irmãos como faz com os servidores públicos, hein gente?

Nas redes sociais, o pai do prefeito Almino Albuquerque aparece num restaurante tomando uma cerveja e faz um comentário dando a entender que está relaxando: “Ninguém é de ferro”, diz ele. Era bom o filho dele também ter consciência de que também não são de ferro os servidores que ainda não receberam nem mesmo o salário de dezembro e mais o 13º salário. (Any Margareth)

José Melo 23