Empresa acusada de desviar dinheiro da saúde vai demitir todos os funcionários de 9 unidades hospitalares de Manaus

protesto-profissionais-saude-assembleia-1-capa

A crise na saúde pública do Estado vai atingir contornos ainda mais graves levando-se em conta que centenas de funcionários do setor de enfermagem das maiores unidades hospitalares da capital vão ser demitidos, a partir desta terça-feira (25) pela empresa Salvare Serviços Médicos Ltda, acusada pela Polícia Federal (PF) de participar de um esquema criminoso que desviou mais de R$ 112 milhões das verbas destinadas à saúde – como de costume os trabalhadores é que vão ser punidos pela corrupção, junto com a população que ficará sem atendimento hospitalar nessa área.

Em comunicado (ver documento no final da matéria) que foi repassado ao Radar pelos servidores dos hospitais de Manaus, a Salvare avisa: “com muita consternação comunicamos aos nossos colaboradores em exercício nas unidades de saúde que prestam o serviço de enfermagem hospitalar que, em virtude da extinção do contrato firmado com o Estado, a empresa não mais manterá a prestação de serviços nessas unidades”.

Dando como justificativa o encerramento do contrato com o Governo de Melo, após as acusações de corrupção virem à tona, a Salvare anuncia que fará o “desligamento” de todos os funcionários da área de enfermagem do Hospital João Lúcio, Hospital Dr. Fajardo, Hospital Platão Araújo, Fundação Adriano Jorge, Instituto da Mulher Dona Lindu, Hospital e Pronto Socorro da Criança (HPSC) Zona Leste, Hospital e Pronto Socorro Infantil (HPSI) Zona Oeste, Hospital e Pronto Socorro Infantil (HPSI) Zona Sul e Serviço de Pronto Atendimento (SPA) Zona Sul.

A data e o horário para o comparecimento desses funcionários, “devendo cada funcionário trazer sua Carteira de Trabalho – CTPS para as devidas anotações “, faz parte de um calendário que está no comunicado, com início no próximo dia 25 de outubro até 28 do mesmo mês.

Cadê os milhões?

A Polícia Federal investiga um montante de R$ 220 milhões que foram repassados pelo Governo do Estado, nas gestões de Omar Aziz e José Melo – 2014, 2015 e 2016 –  para o Instituto Novos Caminhos (INC) do médico e empresário Mouhamad Mustafá que, por conseguinte, teria pago três empresas, entre elas a Salvare, acusadas de fazer parte de um esquema de desvio de verbas da saúde pública do Amazonas. Investigação da PF, durante a Operação Maus Caminhos, aponta que pelo menos R$ 112 milhões foram desviados pela organização criminosa.

Mas, além dessas cifras, o portal Transparência do Governo do Estado, traz valores que foram pagos nos últimos três anos em contratos feitos diretamente com as empresas arroladas na Operação Maus Caminhos. A Salvare recebeu apenas este ano, em contratos diretos com o Governo, R$ 26 milhões e, nos três últimos anos, englobando o final da gestão de Omar Aziz e o primeiro e segundo mandato do professor José Melo, mais de R$ 56,5 milhões. (Any Margareth)

salvare-doc-1