Empresa ligada ao deputado Saullo Vianna recebeu R$ 22 milhões da Seduc em 2020 e já mudou de nome três vezes

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Os alvos da operação ‘Ponto de Parada’, entre eles o deputado estadual Saullo Vianna, alteraram três vezes o nome da empresa por onde passava um suposto esquema investigado pela Polícia Federal (PF) com indícios das práticas dos crimes de fraude à licitação, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro em contrato de fornecimento de transporte escolar junto à Prefeitura de Presidente Figueiredo/AM. Num mesmo CNPJ, o Radar encontrou três nomes. (veja os documentos no final da matéria)

A empresa é a SVX Serviços Profissionais, Construções e Transporte Ltda ME mas que, estranhamente muda de nome e aparece como sendo Porto Serviços Profissionais, Construções e Manutencao Ltda, com o mesmo CNPJ n° 131835080001-14, quando se trata de contratos com a Secretaria de Educação do Amazonas (Seduc). Quando se pesquisa o CNPJ, no Portal da Transparência do Governo aparece a SVX, mas quando se clica no nome da empresa para mais detalhes aparece o nome Porto Serviços, com o mesmo CNPJ.

Essa empresa mantém contrato com o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Educação e Desporto (Seduc), e recebeu em 2020, mais de R$ 22,1 milhões, como mostra o Portal da Transparência.

A empresa ainda levava o nome de SVX Serviços Profissionais Construções e Transporte Ltda ME, em dezembro de 2018, quando o então deputado eleito, Saullo Vianna, foi preso pela Polícia Federal. Na época, as acusações contra ele eram de corrupção e associação criminosa durante as eleições daquele ano.

O Radar denunciou que Saullo Vianna – ainda candidato a deputado estadual à época – era procurador da empresa SVX Serviços, que estava registrada no nome da mãe dele, Célia Maria Velame Viana, e que, em 2018, no governo de Amazonino Mendes, recebeu R$ 33 milhões do Governo do Estado.

Depois da prisão de Saullo a empresa manteve o CNPJ, mas mudou o nome para Porto Serviços Profissionais, Construções e Manutenção Ltda.

Não é a primeira vez que isso acontece, já que em outubro de 2018 – como aponta este documento – o Radar identificou que no mesmo CNPJ aconteceu uma mudança anterior no nome. A empresa era a Amsterdam Serviços Profissionais de Limpeza, Conservação e Construções Ltda, que também tinha como sócia-proprietária Célia Viana, e depois passou a ser SVX Serviços Profissionais Construções e Transporte Ltda ME.

Mesmo trocando o nome da empresa, mantendo apenas o CNPJ, houve uma preocupação na troca da sócia-proprietária registrada na Receita Federal, passando de Célia para Julie Rodrigo Porto da Silva.  O único nome que permanece como sócio nas três mudanças de nome é o de Paulo Sampaio Silva, tanto na Amsterdam, quanto na SVX e Porto Serviços.

A reportagem entrou em contato com o deputado, mas ele não quis falar sobre as seguidas mudanças de nome na empresa ligada a ele.

A reportagem do Radar também entrou em contato com a Seduc questionando sobre a estranha situação cadastral da empresa e os pagamentos milionários feitos a empresa ligada ao deputado Saullo Vianna, mas não houve qualquer resposta.

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