Empresa vai pagar multa de R$ 35 mil por cada arma ilegal achada em presídios

As empresas que irão administrar as unidades prisionais do Amazonas, devem ficar atentas às multas previstas, caso seja encontrada arma ilegal e aparelhos celulares dentro das cadeias. Para cada arma encontrada em poder dos presos, o Estado deixará de pagar R$ 35 mil, mesmo valor aplicado para cada quilo de droga. Já no caso de celular, o desconto é de R$ 10 mil. 

A informação foi dada pelo secretário de Estado de Administração Penitenciária (Seap), coronel Vinícius Almeida, nesta quinta-feira (17). Segundo ele, a medida consta no projeto básico que irá instruir a contratação de empresas terceirizadas para oito unidades prisionais do Amazonas.

“Ao final do mês, nós teremos o instituto de verificação externo que vai medir a qualidade de todos os serviços. O que não estiver dentro do que foi contratado pelo Estado será debitado da nota fiscal”, explicou Almeida.

Outra mudança anunciada pelo titular da Seap é o agrupamento das unidades prisionais em três lotes distintos. A medida vai possibilitar a contratação de diferentes empresas para cada um dos lotes, gerando economia para o Estado. “A empresa vai estar limitada a participar? Não. Ela pode participar. Mas, no momento que ela ganhar, um exemplo, os lotes 1 e 2, ela vai ter que optar entre um e outro”, explicou Almeida.

O primeiro lote será formado pelo Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat) e Unidade Prisional do Puraquequara (UPP). Os Centros de Detenção Provisória Masculinos I e II (CDPM 1 e 2) irão compor o segundo lote. O terceiro e último lote vai abranger o Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), a Penitenciária Feminina de Manaus (PFM), o Centro de Detenção Provisória Feminino (CDPF) e a Unidade Prisional de Itacoatiara (UPI).

Além disso, os contratos terão de discriminar a composição dos custos do sistema penitenciário entre despesas fixas e variáveis. A intenção do Estado é reduzir custos e dar transparência aos gastos com as novas contratações.

Serviços 

O novo modelo de terceirização engloba, ainda, serviços que não estão previstos nos contratos vigentes. É o caso da alimentação. Em cumprimento à Resolução nº 3, de 5 de outubro de 2017, do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, e para atender a uma recomendação do Ministério Público do Estado (MPE), o Governo do Amazonas passará a oferecer cinco refeições diárias aos internos, ou seja, duas a mais que o total servido atualmente.

O atendimento jurídico aos internos deixará de ser feito pelas empresas terceirizadas e passará a ser realizado pela Defensoria Pública do Estado (DPE).

Os novos contratos preveem ainda a contratação de aproximadamente 300 reeducandos, em substituição às atividades realizadas pelas terceirizadas. Além de reduzir custos e gerar recursos para o Fundo Penitenciário do Amazonas (Funpen-AM), a proposta visa estimular a remição de pena pelo trabalho e a ressocialização dos internos. A cada três dias trabalhados, um dia é eliminado do tempo total da pena, reduzindo, desta forma, o custo do preso para a sociedade.

 Fusão 

O Centro de Detenção Provisório Feminino (CDPF) passará a abrigar as internas da Penitenciária Feminina de Manaus (PFM). Na sede da PFM, será criado o Centro Feminino de Educação e Capacitação (Cefec), onde as reeducandas poderão participar de cursos profissionalizantes e desenvolver atividades laborais dos projetos de ressocialização.

Licitação 

A nova licitação será realizada na modalidade de concorrência pública, do tipo técnica e preço, prevista na Lei 8.666/1993. Os contratos terão validade de 60 meses. Nesta quinta-feira, a Seap entregou o projeto básico na Comissão Geral de Licitação (CGL), e a expectativa é que a assinatura dos novos contratos aconteça no início de 2020. 

O estudo foi elaborado pelo Governo do Estado com a consultoria da Fundação Getúlio Vargas (FGV), tendo como premissas a observância à legislação, o aumento da eficiência na gestão e operação, o atendimento às demandas do Ministério Público do Estado (MPE) e da Defensoria Pública do Estado (DPE), economicidade, transparência, controle e fiscalização dos contratos.

Com informações da assessoria da Seap.