Empresário desaparecido foi morto e esquartejado a mando da ex-companheira

O empresário Emerson Pinto dos Reis, de 38 anos, foi morto com 20 facadas e depois foi esquartejado a mando de sua ex-companheira, Elcilane Silva Souza, de 36 anos, que é assessora parlamentar de um dos vereadores da Câmara Municipal de Manaus. Essas informações foram repassadas à imprensa, nessa segunda-feira (25) pelos delegados Catarina Torres e Thomaz Vasconcelos Dias, respectivamente titular da Delegacia Especializada de Ordem Política e Social (Deops) e diretor-adjunto do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), durante coletiva de imprensa no prédio da Delegacia Geral.

Em cumprimento a mandados de prisão temporária por homicídio qualificado, foram presos Elcilane, mais conhecida como Nega, e Alexandre Cavalcante dos Santos, 33, conhecido como “Caverna”.

Conforme Thomaz Vasconcelos Dias, Emerson estava casado com Elcilane há 23 anos. O crime aconteceu no dia 10 de abril desse ano, por volta das 19h, na residência do casal, situada na Rua Rio Branco, bairro São Raimundo, zona Oeste da cidade. Na ocasião, Alexandre, acompanhado de um adolescente de 17 anos e de um jovem identificado como Carlos Haroldo da Conceição Lopes, 23, o “Eduardo”, entraram no imóvel e cometeram o crime. Emerson foi jogado no chão e, em seguida, os infratores desferiram 20 golpes de faca no empresário. Na sequência, esquartejaram o corpo da vítima e guardaram os membros em malas.

Segundo Catarina Torres, a irmã de Emerson compareceu na Deops no dia 12 de abril deste ano e formalizou um Boletim de Ocorrência (BO) sobre o desaparecimento do empresário. Na época, relatou que ele havia saído da casa dele no dia 10 de abril e ainda não havia retornado ao imóvel. Logo após o registro, “Nega” também esteve na unidade policial para informar que o companheiro não estava atendendo às ligações feitas ao telefone dele, após ele sair de casa depois de um desentendimento entre os dois.

“Durante as diligências surgiram indícios de que se tratava de homicídio. As investigações mostraram que na noite do dia 10, por volta da 18h, Elcilane foi até a invasão Coliseu buscar Alexandre, “Eduardo” e o adolescente. Na residência do casal “Nega” deu as coordenadas sobre como iria ocorrer o delito.

“Por volta de meia-noite Elcilane ligou para uma amiga, pedindo socorro, informando que teria discutido com o marido. Ao chegar na residência, a mulher informou para a amiga que matou Emerson. As duas entraram em um carro e seguiram até o Ramal do Brasileirinho, na zona Leste, onde abandonaram as malas com os pedaços da vítima”, ressaltou Vasconcelos.

Durante a coletiva, o diretor-adjunto do DRCO informou que o crime foi motivado pela disputa para quem iria ficar com o patrimônio do casal, porque Emerson pretendia se separar da companheira. “Nos meses que ocorreram as oitivas, Elcilane alegou ter sido coagida por Alexandre para manter o homicídio em sigilo. Ela disse, ainda, que a morte de Emerson ocorreu devido a uma dívida entre a vítima e o infrator. Versão que foi descartada após as evidências em torno do caso”, declarou Thomaz Dias.

O delegado ressaltou que durante consulta ao Sistema Integrado de Segurança Pública (Sisp) foi constatado que “Eduardo” era foragido da Justiça do estado do Pará por homicídio e roubo.  Em agosto foi expedido mandado de prisão temporária por homicídio qualificado em nome de Alexandre, Carlos e Elcilane, pela juíza Mirza Telma de Oliveira Cunha, no Plantão Criminal.

Alexandre foi preso no último dia 10 de agosto deste ano, em Manaus. Já Carlos foi preso no dia 23 de agosto, em Santarém, no estado do Pará. “Nega” se apresentou espontaneamente na tarde da última sexta-feira, dia 22, por volta das 16h, no prédio da Delegacia Geral, para prestar esclarecimentos sobre o caso.

Já o adolescente foi apreendido no dia 11 agosto deste ano e encaminhado para a Delegacia Especializada em Apuração de Atos Inflacionais (Deaai). Ao término dos procedimentos no DRCO, os infratores permanecerão na unidade policial, à disposição da Justiça.