Empresários em alerta: EUA impõe alta de tarifa sobre importações de aço e alumínio

Após anúncio de que o governo dos Estados Unidos pretende aplicar tarifa adicional de 25% sobre as importações de aço, e de 10% sobre as de alumínio, empresários da indústria do Amazonas afirmaram que a restrição comercial afetará as exportações brasileiras de ambos setores, mas descartaram impactos mais diretos ao PIM (Polo Industrial de Manaus).

“Caso confirmada terá sim um impacto grande para o país, por conta do aumento dos derivado de aço e alumínio, mas não aqui efetivamente. No entanto, ainda deve acontecer muita coisa e vamos acompanhar a situação”, disse o  presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Antonio Silva.

A Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) reforçou que mudança não refletirá negativamente na produção do Amazonas, uma vez que as fábricas do PIM não são exportadoras de aço ou alumínio.

A tarifa adicional pretendida tem como decorrência da investigação com base na Seção 232 da “Lei de Expansão Comercial”, de 1962. Inclusive, na semana passada, o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), Marcos Jorge, esteve reunido em Washington com o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, justamente para reiterar que o aço brasileiro não representa ameaça à segurança nacional norte-americana, e que as estruturas produtivas siderúrgicas de ambos os países são complementares.

Ele acrescentou que cerca de 80% das exportações brasileiras de aço são de produtos semiacabados, importante insumo para a indústria siderúrgica norte-americana. Ao mesmo tempo, o Brasil também é o maior importador de carvão siderúrgico norte-americano (cerca de US$ 1 bilhão em 2017), que constitui insumo relevante para a produção brasileira de aço, parcialmente exportada aos Estados Unidos.

Marcos Jorge destacou que a restrição traria prejuízos significativos aos produtores e consumidores de ambos os países, segundo relatou Marcos Jorge ao secretário americano. O governo brasileiro não descarta eventuais ações complementares, no âmbito multilateral e bilateral, para preservar seus interesses no caso concreto.