Empresas de energia elétrica: quem está pagando o lucro de quem comprou

Foto: Radar Amazônico

É inacreditável ver ainda quem defenda a entrega das empresas de fornecimento de energia elétrica nas mãos da iniciativa privada. Qualquer pessoa com um mínimo de senso de observação, tira suas próprias conclusões do que acontece quando a empresa que opera nessa área vai parar nas mãos de um empresário. Afinal, alguém conhece algum empresário que não vise lucro. É só ver o que aconteceu com a venda da Amazonas Energia.

O povo tem sido constantemente penalizado com cortes indiscriminados no fornecimento de energia elétrica, quedas constantes no fornecimento de energia, serviço de péssima qualidade e faturas com preços abusivos. Agora a empresa decidiu fazer mudanças no sistema de medição de consumo ao seu bel prazer, com um medidor de energia que fica a quatro metros do chão onde o cidadão não tem acesso aos dados de seu próprio consumo. A empresa, que tem apenas a concessão de um serviço público, age como se estivesse fazendo um grande favor ao povo do Amazonas.

É difícil sequer ter um contato com a empresa pra resolver algum problema no fornecimento de energia elétrica e, depois de horas pendurado num telefone, ainda não se consegue muitas explicações sobre o problema e nem uma previsão de quanto tempo levará para ser dada uma solução. O que se recebe pela cara, é uma breve resposta de que “já há equipes trabalhando”, tão somente isso e ponto final.  As famílias mais pobres são os principais alvos da humilhação da Amazonas Energia. Os consumidores são tratados com a ideia pré-concebida de que são “ladrões” de energia.

E a resposta da Justiça para as querelas entre os consumidores e a Amazonas Energia, com seus advogados pagos a peso de ouro, na maioria das vezes, são decisões favoráveis à empresa.

Mas isso não acontece só no Amazonas. Citando só um exemplo, o do estado do Amapá, após a privatização, aconteceu um dos maiores blackouts da história do Brasil, um apagão que durou 20 dias e atingiu 13 dos 16 municípios do Estado. A empresa privada teve que ser socorrida pela Eletrobras porque não tinha gerador reserva, a mesma Eletrobrás que Bolsonaro quer privatizar. O tribunal de Contas da União (TCU) já deu sinal verde para que isso aconteça.

Especialistas do setor enérgico opinam que a venda da empresa para a iniciativa privada deve resultar em aumento de tarifas, perda da qualidade dos serviços e redução de investimentos no setor.

Enquanto isso, as marionetes a serviço do governo federal fazem a já conhecida propaganda de que as empresas públicas causam prejuízo pro povo brasileiro e são antros de corrupção. Com isso, empresas públicas vão parar nas mãos de empresários, vendidas a preço de banana.

Eles ficam com o lucro pago com sangue e suor dos assalariados do Brasil.